quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Onde está o problema?

«[...]
O século XVIII foi a grande oportunidade, para Espanha e Portugal, de se modernizarem, mas optaram por permanecer nas trevas. Nós combatemos os franceses, que traziam a luz e as ideias. Combatemos do lado errado. Tenho um grande rancor histórico contra a Igreja, porque creio que é culpada do atraso de Portugal, Espanha e Itália em relação ao Norte.
[...]
Estamos a criar gerações de jovens que carecem de mecanismos culturais e históricos que lhes permitam saber quem são. Estamos a criar órfãos culturais. Todo o sistema educativo europeu está feito para esmagar a inteligência. Para igualá-la à mediocridade.
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Hoje há uma guerra de civilizações, uma guerra social entre o Islão e o Ocidente. Porque o Islão é incompatível com a democracia.
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Houve uma grande e sangrenta luta para nos livrarmos das grilhetas que a Igreja Católica nos impôs. No Islão não houve essa guerra. E nós não podemos agora renunciar a séculos de luta pelas liberdades e direitos. Para que a minha filha possa usar minissaia na rua, ou o teu filho possa dizer ‘Me cago em Deus’, sem que o executem como blasfemo. Custou-nos muitos séculos de sofrimento, de guerras e de mortos. Mas eles não o fizeram.
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o Islão deixou-nos coisas, tanto no sangue como na cultura, depois de muitos séculos. Mas essa herança islâmica evoluiu connosco. Tal como a herança cristã também evoluiu.
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É compatível com a democracia que, por exemplo, uma mulher não possa ser tratada por um médico homem? Não, o Islão não vai mudar, e é incompatível com a democracia.
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Já estamos a ter uma guerra de civilizações. Com uma diferença importante: é que desta vez vamos perdê-la.
- Porquê?
Porque o Ocidente é débil, medíocre, cobarde. Tenta ser politicamente correcto, é velho, gordo, acomodado, cheio de tecnologia. Enquanto o Islão tem fome, tem rancor, tem ódio, tem juventude, tem tomates. Não tem nada a perder, e tem muito a ganhar. Por isso vamos perder a guerra. Mas não merecemos ganhar.
[...]
eu estava no Irão quando chegou Khomeini, e vi os mesmos jovens gritarem ‘Liberdade, liberdade’. Esses jovens estão agora todos cheios de barbas e de medo, não se atrevem a falar em voz alta. As Primaveras árabes também foram apropriadas pelos “khomeinis”.
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escrevo porque me dá prazer. Escrevo para recordar as minhas viagens, os amigos, as mulheres que fodi. 
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quando um filho da puta que não fez mais nada do que beber copos num bar se atreve a escrever 500 páginas sobre a sua interessante personalidade, vá apanhar no cu!
[...]
Um escritor português, por exemplo, tem de conhecer, primeiro, Grécia e Roma, porque é de onde vem tudo. Depois, a literatura portuguesa dos séculos XVI e XVII, Camões, etc., quando se forma a língua. E a literatura europeia do século XIX, Tolstoi, Dostoievski, Eça de Queirós, Galdós. E tem de ler Thomas Mann, Conrad, Faulkner, Kundera. Não leu nenhum desses, mas conhece Foster Wallace e Houellebecq? Então é um filho da puta, não pode ser escritor. E pensa que descobriu coisas que existem desde os gregos.
[...]
Esses filhos da puta que estão a chegar a Lisboa de calções e chinelos, e que estão a foder a cidade de forma irremediável… Eu vim há muito tempo a Lisboa porque li Pessoa, Camões e Eça de Queirós. Vim para encontrar a realidade que amava nos livros. Esses turistas filhos da puta nem sabem quem foi Pessoa. Vão à Brasileira para fazer uma foto com ele, e não sabem quem ele é, nem nunca saberão na puta da sua vida. Eu preocupo-me com isso porque eles estão a foder-me a mim, ao foderem a minha Lisboa. Não escrevo para que o mundo seja melhor. Eu escrevo romances em legítima defesa.
[...]»
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A propósito,
«o problema está no Islão, o problema é o Islão»

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Prognóstico reservado

Resgatado dos escombros com braço fracturado, ferimento no peito, escoriação na testa. Apesar do prognóstico, há-de safar-se.
Deu ontem na SIC.

domingo, 28 de agosto de 2016

Errata

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Quem descobriu o erro foi a minha sobrinha.
Parabéns e obrigado, Mariana.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Muito obrigado, Luís Lopes.

De novo, o melhor português nas olimpíadas.
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Quem é Luís Lopes?

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Acordo Ortográfico [113]

«1. Alguma vez um anti-acordista disse sobre o Acordo Ortográfico de 1990 qualquer coisa boa, mesmo boa? Pois aqui vai uma magnífica. O AO90, ao qual se deseja uma rápida e humana morte, terá deixado um precedente deveras valioso. Pela primeira vez no nosso secular debate ortográfico, a Pronúncia é feita critério decisivo da grafia, assim destronando a Etimologia do topo do pódio, invertendo beneficamente a hierarquia. Mas foi mais sorte que esperteza, já que nunca os autores e promotores do Acordo reivindicaram o cometimento. Só que, no momento de ser aplicada a Portugal essa sã primazia da Pronúncia, as coisas correram mal. Já lá iremos.
[…]»

terça-feira, 26 de julho de 2016

«Garry Marshall realizou mais de 18 filmes.»

Os deuses sabem da minha admiração por Diogo Vaz Pinto — ver, por exemplo, "Cadernos do Subterrâneo", ou isto — e quanto aprecio o rigor das coisas.
Nem por isso deixo de achar que, desta vez, DVP abusou na exactidão.
Estaria capaz de apostar em que Garry Marshall realizou exactamente menos de 20 filmes. Ou, sendo rigoroso, cerca de 19.

Agora ria-se aí com "As afinidades electivas" de Miguel Tamen.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

E a vírgula, caralho?

Obrigado, Portugal.  —  Parabéns, Portugal., s.f.f..
Quem ensinou esta gente a escrever, foda-se?
Levar a tribunal a Federação, o Novo Banco, o BPI e o Lidl seria pouco.
Olá, Maria.
Adeus, amor.

Acordo Ortográfico [112]

«Carta aberta ao Presidente da República:
o acordo ortográfico do nosso descontentamento»

sábado, 25 de junho de 2016

Deus existe

Não há desemprego na Teologia.
Expresso, 25.Jun.2016

ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h

domingo, 19 de junho de 2016

Presidente falta às marchas

Onde pára o Marcelo que vai a todas, que o não vi ontem na marcha do Nogueira nem na marcha do orgulho?
Nem uma mensagem de solidariedade ou de afecto se dignou enviar. Arlequim cansado? Este presidente sabe-a toda...

Mariana Mortágua, deputada da nação:
«Deixa passar! Porque eu sou fufa e o mundo eu vou mudar.»
Nada de novo quanto à doutora Mariana. Quanto ao mundo mudável, já Camões o entoava
A natureza é que não se mostra tão dada a mudanças. Quem sabe a preservação da espécie resida nisso.
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«Ainda faltam muitos avanços a nível de visibilidade.»
Ai faltam? Bom remédio: não sejam tão discretos...

sábado, 18 de junho de 2016

Carneiro, cão do dono

O Diário de Notícias de quarta-feira passada, 15, traz duas "cartas dos leitores". Uma é do «Porta-voz da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa» reagindo às, cito, «considerações sobre o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Dr. Pedro Santana Lopes» expendidas pelo vereador dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, João Afonso, na entrevista publicada na véspera.
Revi a entrevista. Quase no fim, a jornalista Valentina Marcelino pergunta ao arquitecto João Afonso, eleito pelo Movimento dos Cidadãos por Lisboa: 
- Preocupa-vos a possibilidade de Santana Lopes ser candidato e poder voltar à Câmara de Lisboa?
João Afonso- Se os lisboetas pensarem o que foi o mandato de Pedro Santana Lopes e o estado em que deixou a câmara, no que diz respeito ao endividamento, com certeza não o vão querer de volta. E que obras fez? Um túnel que serve essencialmente para pessoas que vêm de fora de Lisboa e piscinas que não estavam a funcionar e que foi o António Costa que teve de pagar as contas para as abrir. Essas foram as obras do Santana Lopes. Acabou. Não há mais nada. Do ponto de vista social não vejo também resultados do seu mandato e, do ponto de vista da gestão, a imagem da câmara estava completamente debilitada. Sinceramente, acho que já passou o seu tempo. Foi presidente de câmara, foi primeiro-ministro, mas já passou o seu tempo. As coisas não voltam para trás...

Essa, a única passagem em que se fala de Pedro Santana Lopes, possível próximo candidato à câmara de Lisboa e antigo presidente dela. Não há na conversa nenhuma alusão directa ou indirecta à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ou quaisquer «considerações sobre o provedor».
O autor da carta entendeu importante esclarecer que não lhe «compete o papel de analista político ou de defensor oficioso do senhor provedor». Nesse caso, porque vem o leitor do DN, António Carneiro Jacinto*, inundar o jornal, na condição de «Porta-voz da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa», com a aluvião diluviana das magníficas benfeitorias à cidade de um dos políticos mais medíocres, vaidosos, videirinhos e sobrestimados de Portugal?

Mais vale ser um cão raivoso
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* Ler é acrescentar sempre qualquer coisa à ignorância. Talvez por isso, tendo nascido burro e sabendo cada vez menos, precise de ler tudo para não morrer com a ilusão de saber alguma coisa certa. Paciente leitor, ora leia por exemplo isto. Ou isto.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Acordo Ortográfico [111]

«[…]
Ainda estou para perceber as vantagens económicas da fonética sobre a filiação morfológica.
[…]
Creio que a Via continua a ser Láctea, mas compramos laticínios. Mas que lata! E os egípcios ficaram apátridas no Egito.
Científico, isto? Lembro apenas que no carácter do cientista está a dúvida e a admissão do erro.
[…]
Seus preguiçosos! Dá-lhes jeito pensarem que somos todos criancinhas.
[…]»

Sabedoria e eloquência

O doutor António Vitorino, do PS, é muito inteligente, muito esperto, muito bem sucedido, muito bem-falante.
Acerca dos contratos de associação com colégios privados:
Acerca da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos:
SIC Notícias, 07.Jun.2016. 

Já o doutor António Costa, ao invés, igualmente: 
21.º congresso do PS
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Ranço