domingo, 4 de dezembro de 2016

Camarate, Medellín, Toledo ... e a inequivocidade das coisas

Nada de precipitações.
Encomendem a investigação ao parlamento português* e descobrir-se-á quantas bombas a bordo, quantos Farinhas Simões, Josés Esteves e Sinans Rodrigues mancomunados atrás dos arbustos.
Requeiram uma peritagem a Helena Roseta e ver-se-á como luzem os contornos da conspiração.
No caso de hoje, em Toledo, ninguém, talvez, como Clara Ferreira Alves, especialista em aviação, para nos explicar porque caem certas aeronaves mais do que outras.
_____________________________________    
* «[...] dá-se por concluído e provado de forma inequívoca, na senda das últimas Comissões, que se tratou de um atentado. [...]»
X Comissão Parlamentar de Inquérito à Tragédia de Camarate
Relatório Final, página 62 de 1555 (!) - Aprovado com abstenção do PCP - 23.Jun.2015

provado de forma inequívoca  -  Ah valentes!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Entedia-me

que compreendam tudo o que digo.
Se não compreendem, fico deprimido.

domingo, 27 de novembro de 2016

Actualidades

.  Fidel Castro, 13.Ago.1926-25.Nov.2016
[Figuras que marcaram o século XX - Expresso n.º 1000, 28.Dez.1991; poster de António]

.  Cova da Iria, 13.Mai.1917-13.Mai.2017. Vem aí pornografia pesada. A cronometragem do negócio mal começou.
[Reclame publicado no caderno Especial Natal 2016 – Expresso, 26.Nov.2016]

Poucos conseguiriam, como Ferreira Fernandes, urdir tão estupendo texto sobre ocorrência de tão poucas horas antes.
«[...]
Os meus colegas olharam para mim, pasmados: "Mas qual RGIC?!", disse um que frequenta os Passos Perdido.
[...]»
Até na gralha do singular Perdido FF operou, porventura sem querer, um trocadilho delicioso.

.  Domingues e feriados:
27 de Novembro / 01 de Dezembro / 08 de Dezembro

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

domingo, 30 de outubro de 2016

Músicos portugueses

«[...]
A este exterior mais à mão os músicos, como todos os seus primos romancistas e professores, chamam ‘mundo.’
[...]»

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Acordo Ortográfico [116]

«[...]
Na verdade, a regra da fonética é pura tolice, como facilmente se comprovará.
[...]
vão para o diabo mais as normas de um acordo que não unifica (há mais palavras diferentes agora do que havia antes), não padroniza, não simplifica, não melhora nem torna mais “internacionalizável” a língua portuguesa. Alguns já perceberam a fraude há muito tempo, outros têm vindo a percebê-la com o passar dos meses e dos anos. Falta apenas uma coisa: coragem para acabar com isto.»

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Medida certa

O doutor filósofo professor, por tal sinal mui culto e simpático, Viriato Soromenho Marques informa, a respeito do aparelho-zingarelho Schiaparelli [pronunciar skiàpàrèli, que o italiano é lindo e merece respeito da glote*] que se esbardalhou há dias em Marte: «O espaço exterior tem distâncias astronómicas».

Fui medir. Tem. Pelo menos, a da Terra a Marte é; a fita-métrica não me deu para mais astros.
__________________________________________
* Dói ou não dói ouvir, por exemplo, o bom do Júlio Isidro dizer solitudine [solidão] a rimar com ovomaltine? Claro que dói.
Diga-me, bondoso leitor, se não é linda a palavra solitudine...

«[...]
Estas coisas têm de acontecer amanhã já, porque há gente com fome, a verdade é essa. Mas pelo andar das coisas, pode demorar séculos.»
Cruzeiro Seixas [03.Dez.1920 — * ], à conversa com Bruno Horta | Observador, 23.Out.2016
____________________________
* Ainda agarrado ao hífen.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Fados e guterradas

De quem vai render um sul-coreano imune espera-se que tenha todas as vacinas em dia. 

Próximos passos:
- Dom Manuel a Papa. Pela ordem natural das coisas, será Clemente XV.
- Dona Maria a santa. Quando partiu já ia beatificada.

Desígnios do Quinto Império?...
______________________________________

Acordo Ortográfico [115]

«[…]
É tempo de acabarmos com o amontoado de arbitrariedades a que se convencionou chamar “Acordo Ortográfico”, poço sem fundo de facultatividades que desmontam a própria noção de ortografia.
[…]»

- x - 
«[…]
A questão da língua deveria, essa sim, ser considerada um “assunto de superior interesse nacional”, palavrosidade que tanto enche a boca de políticos e doutores, mas pela qual políticos e doutores tão pouco têm zelado. Não é por teimosia ou conservadorismo que há, felizmente, quem insista na insalubridade do “acordo” e na urgência de revertê-lo enquanto ainda é possível erradicar a moléstia. Porque ele é cientificamente mau, socialmente inútil e culturalmente nefasto. Não se trata de uma opinião, mas de factos, evidenciados pelos numerosos escritos e pareceres de reputados cientistas da língua, em Portugal e no Brasil. E não é coisa que passe com o tempo, como uma vulgar dor de cabeça. O que ficar disto será para sempre. Os efeitos, aliás, já se estão a sentir um pouco por toda a parte: nas escolas, nas empresas, nas instituições ou nos jornais, multiplicam-se as evidências de que o AO falhou em tudo e só complicou ainda mais aquilo que se propunha simplificar.
[...]
Os agentes políticos* de que falo são, na realidade, quase todos, independentemente do lugar que ocupam, quer sejam ou tenham sido ou queiram vir a ser governo ou oposição. A leviandade com que a grande maioria deles olhou para este assunto é, aliás, reveladora da incultura geral que se espalhou pelos aparelhos partidários.
[…]»

Reflicta-se, a propósito, neste recente despautério esquizofrénico-laticínio-lacticínico ou lá que é:

Por estas e outras, continuo a preferir Matinal. Seleccionado como convém. Longa vida aos úberes de que jorra!
___________________________________________
* Filhos de uma grandíssima e alternadíssima [preencher a gosto].

domingo, 2 de outubro de 2016

Jornalismo de referência

«George de 3 anos chegou de camisola azul, calções bordeaux e meias até ao joelho, de mão dada com o pai. Já Charlotte, de 16 meses, vinha ao colo da mãe de casaco azul a combinar com o vestido.»

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Onde está o problema?

«[...]
O século XVIII foi a grande oportunidade, para Espanha e Portugal, de se modernizarem, mas optaram por permanecer nas trevas. Nós combatemos os franceses, que traziam a luz e as ideias. Combatemos do lado errado. Tenho um grande rancor histórico contra a Igreja, porque creio que é culpada do atraso de Portugal, Espanha e Itália em relação ao Norte.
[...]
Estamos a criar gerações de jovens que carecem de mecanismos culturais e históricos que lhes permitam saber quem são. Estamos a criar órfãos culturais. Todo o sistema educativo europeu está feito para esmagar a inteligência. Para igualá-la à mediocridade.
[...]
Hoje há uma guerra de civilizações, uma guerra social entre o Islão e o Ocidente. Porque o Islão é incompatível com a democracia.
[...]
Houve uma grande e sangrenta luta para nos livrarmos das grilhetas que a Igreja Católica nos impôs. No Islão não houve essa guerra. E nós não podemos agora renunciar a séculos de luta pelas liberdades e direitos. Para que a minha filha possa usar minissaia na rua, ou o teu filho possa dizer ‘Me cago em Deus’, sem que o executem como blasfemo. Custou-nos muitos séculos de sofrimento, de guerras e de mortos. Mas eles não o fizeram.
[...]
o Islão deixou-nos coisas, tanto no sangue como na cultura, depois de muitos séculos. Mas essa herança islâmica evoluiu connosco. Tal como a herança cristã também evoluiu.
[...]
É compatível com a democracia que, por exemplo, uma mulher não possa ser tratada por um médico homem? Não, o Islão não vai mudar, e é incompatível com a democracia.
[...]
Já estamos a ter uma guerra de civilizações. Com uma diferença importante: é que desta vez vamos perdê-la.
- Porquê?
Porque o Ocidente é débil, medíocre, cobarde. Tenta ser politicamente correcto, é velho, gordo, acomodado, cheio de tecnologia. Enquanto o Islão tem fome, tem rancor, tem ódio, tem juventude, tem tomates. Não tem nada a perder, e tem muito a ganhar. Por isso vamos perder a guerra. Mas não merecemos ganhar.
[...]
eu estava no Irão quando chegou Khomeini, e vi os mesmos jovens gritarem ‘Liberdade, liberdade’. Esses jovens estão agora todos cheios de barbas e de medo, não se atrevem a falar em voz alta. As Primaveras árabes também foram apropriadas pelos “khomeinis”.
[...]
escrevo porque me dá prazer. Escrevo para recordar as minhas viagens, os amigos, as mulheres que fodi. 
[...]
quando um filho da puta que não fez mais nada do que beber copos num bar se atreve a escrever 500 páginas sobre a sua interessante personalidade, vá apanhar no cu!
[...]
Um escritor português, por exemplo, tem de conhecer, primeiro, Grécia e Roma, porque é de onde vem tudo. Depois, a literatura portuguesa dos séculos XVI e XVII, Camões, etc., quando se forma a língua. E a literatura europeia do século XIX, Tolstoi, Dostoievski, Eça de Queirós, Galdós. E tem de ler Thomas Mann, Conrad, Faulkner, Kundera. Não leu nenhum desses, mas conhece Foster Wallace e Houellebecq? Então é um filho da puta, não pode ser escritor. E pensa que descobriu coisas que existem desde os gregos.
[...]
Esses filhos da puta que estão a chegar a Lisboa de calções e chinelos, e que estão a foder a cidade de forma irremediável… Eu vim há muito tempo a Lisboa porque li Pessoa, Camões e Eça de Queirós. Vim para encontrar a realidade que amava nos livros. Esses turistas filhos da puta nem sabem quem foi Pessoa. Vão à Brasileira para fazer uma foto com ele, e não sabem quem ele é, nem nunca saberão na puta da sua vida. Eu preocupo-me com isso porque eles estão a foder-me a mim, ao foderem a minha Lisboa. Não escrevo para que o mundo seja melhor. Eu escrevo romances em legítima defesa.
[...]»
__________________________________
A propósito,
«o problema está no Islão, o problema é o Islão»