quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Eles

deram chuva para amanhã.

Quando perco a cabeça

é sempre ela que me reencontra. 
Estarei irremediavelmente perdido quando tiver de ser eu a procurá-la.

Geometria elementar

Quantas rectas são de considerar até ao ponto em que o apresentador anuncia: «Estamos na recta final do programa.»?

Kagandatusa, velho mago

africano,
dizia qu’o pó de cantárida trepava,
dizia qu’o testículo de tigre arrebatava,
dizia qu’o amendoim atiçava,
dizia qu’o esperma de cervo excitava,
dizia qu’o gengibre despertava,
dizia qu’o corno de rinoceronte alçava,
dizia qu’o açafrão animava,
dizia qu’o pau de cabinda alevantava.

O afrodisíaco vem daí.

Estava na altura

de dizer «basta!».
Foi aí que ele disse: «Basta!». E desceu.

- E se pagar a pronto?

- Bom, vendo por esse prisma...
- OK, compro. 
E passou-lhe o desenho para a mão.

Contra os não sei quê, marchar, marchar.

Parabéns, Susana.
Parabéns, Ana.
Parabéns, Inês.

Europa

«Decorridos 61 anos, o clube europeu surge transformado num antro de rivalidades e de rasteiras. O Tratado de Lisboa*, no inacreditável binómio formado pelos estatutos (Tratado da União Europeia) e pelo manual de instruções (Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia), está ao serviço dos mais fortes, bloqueia o funcionamento harmónico do conjunto e prejudica tanto o sentimento de pertença à Europa como a própria existência da solidariedade.»
____________________________________

Acordo Ortográfico [19]

João Céu e Silva [DN]- Vai publicar um novo romance. Já escreve pelas normas do Novo Acordo Ortográfico?
Mário de Carvalho- Não, e não escreverei. Também não me oponho a que alguém reveja o livro e utilize as normas que estiverem em vigor - não vou entrar nesse tipo de resistência. Não estou disponível para aprender as novas normas, embora deva dizer que me causa estranheza ver a palavra "espetador" em vez de "espectador" num texto meu!
[...]
JCS- Qual é o tema do seu próximo romance?
MC- Vadios. Vadiagem.
Diário de Notícias, 30.Ago.2011

Sempre simpatizei muito com o Mário de Carvalho.

Acordo Ortográfico [18]

«Era absolutamente desnecessário termos assinado o acto de desforra colonial que é o Acordo Ortográfico, através do qual nós traímos a nossa língua e eles [brasileiros] não passaram a respeitar-nos mais por isso - antes pelo contrário.»
Miguel Sousa Tavares, "Onde está o meu ouro de Minas?" | Expresso, 27.Ago.2011

Procuro namorada

que não fume e, domine o bom uso da vírgula.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Informar ou fazer crer?

Nos tempos que correm - isto é, sempre -, nunca será excessiva a cautela com o jornalismo que tenta fazer crer em vez de informar.
Por isso, muito bem, senhor Ferreira Fernandes!

Caniabilaziador precisa-se. Urgente.

- Qual dos seguintes é um filme de Manoel de Oliveira?
A. “Os Samurais”
B. “Os Singuingais”
C. “Os Canibais”
D. “Os Madrigais”
Concorrente Relvas: Bloqueio a resposta C. “Os Canaviais”.
- Miguel Relvas, ministro, esta manhã no Parlamento.

Quem sabe, sabe,

e a gente até agradece que nos instrua com a sua sabedoria. Mas a gente não exige a quem sabe muito que nos dê a saber ainda mais uns pormenores que quem sabe muito faça questão de, com vaidade e segurança, nos dar adicionalmente a saber, sobretudo quando os pormenores não são bem assim e nem a Helena nem o Mário acodem a corrigir.
OK? Não sei se resuma se repita.
Ângelo Correia– O senhor D. João V, quando mandou ao Preste João das Índias o senhor Afonso de Paiva, só foi fazer informações […] Isto chama-se “política de informações de El Rei D. João II”.
Helena Roseta– Disseste D. João V mas era D. João II.
Ângelo Correia, seguro e vaidoso de tanto conhecimento- D. João II, perdão, El Rei D. João II, O Príncipe Perfeito, 1470-1480.

Sucede que D. João II reinou de 29.Ago.1481 [530 anos, ontem] a 25.Out.1495. Isto é, iniciou o reinado logo a seguir a D. Ângelo I, o príncipe mais-que-perfeito, o ter terminado.
Mas isso é um pormenor e o Ângelo Correia até pertence ao número dos únicos quatro craques do PSD com quem vez por outra simpatizo e, nos dias bissextos, consigo concordar.

Pajama Men e outros

«Fazem tudo com pouco. Com mímica e óptimos textos caricaturais, ora patéticos, cruéis ou puramente cómicos, os Pajama Men são ao mesmo tempo antiquados e modernos, como Buster Keaton e Beckett, numa versão teatral com menos adereços ainda: só duas cadeiras.»

Reino animal

Nutro pela generalidade dos animais, do percevejo ao diabo da Tasmânia mas não passando pelo António Capucho nem pela Ilda Figueiredo, muito menos pelo Eduardo Sá ou pelo Pedro Granger, igual respeito e fascínio de proporção bíblica, acompanhando em doses homeopáticas ignorância, incerteza, perplexidade e deslumbramento. Diria até que me sinto um empenhado amigo dos animais, pese matar uns e comer outros. 
Há, todavia, uma espécie com que preconceituosamente engalinho, isso, e nunca saberei explicar porquê: a do amigo dos animais, designadamente gatos e cães — subsumem 95% da espécie —, que não me causa tanto fascínio nem respeito semelhante. Não conheço nenhum que não use insecticida.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Partido Comunista Português | Bloco de Esquerda

O senhor Júlio diz o que genericamente também acho do PCP e do BE; e di-lo em português escorreito e com pontuação esmerada. Ponho aqui para que pelo menos mais três pessoas fiquem a conhecer.
Muito obrigado, senhor Júlio.
O Bloco e o PCP são furúnculos da velha extrema-esquerda europeia do século passado que teimam em fazer de Portugal o seu museu vivo. São indicadores do nosso atraso periférico, nos seus aspectos económico, civilizacional e mental. Perante a queda estrondosa do comunismo, fingiram e fingem que não é nada com eles, tal como Salazar e Franco fingiram, após o fim da segunda guerra mundial, que não era nada com eles. “Cadáveres adiados que procriam” – chamou-lhes antecipadamente o profeta Fernando Pessoa.
Ideologicamente putrefactos e cegos pelo ódio sectário, Bloco e PCP prestam-se miseravelmente a servir os desígnios da direita portuguesa, que agora recolocaram deliberadamente no poder. Preferem ver a direita a realizar o exacto contrário dos seus programas políticos (privatizações, legislação laboral, segurança social, saúde) a ter no governo um socialista moderado, isto é, um “traidor” dos seus dogmas arcaicos e estéreis. O desespero que a sua impotência ideológica e política intimamente lhes provoca leva-os, de facto, a agirem como incendiários. O Estado social a arder dá-lhes a perversa satisfação de poderem ter novamente algo por que lutar. Quando as últimas “conquistas de Abril” desaparecerem sob as chamas, terão novamente a sensação enganadora de que estão vivos. Desadaptados da realidade, incapazes de compreenderem a sociedade e de acompanharem o progresso, precisam da acção purificadora do fogo laranja para restabelecer uma imagem fantasmagórica do passado em que se julgavam úteis e actuantes.»

Servia-se dos chocos com tinta

para escrever na língua-mãe.

Presente

- Fui dar um mergulho à Caparica.
- Agradeceu?

- Amo-te.

- Porquê?
- Não sei. E tu amas-me?
- Não sei.
- Porquê?
- Não sei.

domingo, 28 de agosto de 2011

O que é o amor?

«Andamos sempre nisto. "O que é o amor?" 
[...]
Porque é que amamos quem amamos? Porque é que não amamos quem não amamos? Qual o ingrediente, a qualidade, a característica, o acontecimento, o momento que distingue uma pessoa de quem gostamos, que apreciamos, que achamos atraente e interessante e até “certa” de outra que, podendo não acumular todas essas qualidades e não raro não contando mesmo nenhumas – et pour cause? – nos arrebata e subjuga?
[…]
As receitas para o fim dão-nos então, em espelho, um pista para o início. Amaremos  quem saiba, por ciência ou distracção, dosear a distância e a proximidade*, a fome e o alimento. Amaremos quem se souber fazer belo e cobiçável. Amaremos quem encaixar no arquétipo que, desconhecido, trazemos como um talismã ou uma maldição. Amaremos quem calhar, se calhar.»

Evito quanto posso dizer estas coisas, mas às vezes tem de ser: mais um belo e imperdível texto da Fernanda Câncio.

* Se não erro, é mais ou menos aqui que intervém o Maurice Blanchot [1969]: Le désir est la séparation elle-même qui se fait attirante; elle est l'intervalle qui devient sensible. Voilà!

PS
A Fernanda Câncio cita uma passagem do célebre capítulo 13.º da 1.ª Carta de São Paulo aos Coríntios, informando tratar-se de tradução sua de uma versão inglesa, o que me faz supor que: ou não tinha uma Bíblia – um Novo Testamento, vá lá – em língua portuguesa à mão; ou estava momentaneamente sem acesso à net e teve de se valer do exemplar em inglês proporcionado pelo hotel na mesa de cabeceira do quarto onde rabiscou a crónica*; ou não acha fiável nenhuma das milhentas versões em português disponíveis um pouco por todo o lado; ou etc. Soa-me a afectação escusável, Deus me perdoe. Mas a Fernanda é sofisticada, a gente sabe; ela pensa, fala e respira em inglês, de tal modo que o pormenor da tradução não afecta minimamente a alta categoria do texto.
De resto, sou levado a crer que os conselhos da Arte de Amar [não "A Arte de Amar", como diz a FC], de Ovídio, igualmente invocados nesta crónica, só por um assomo de modéstia a Câncio os foi beber na edição portuguesa da Cotovia – tradução do Carlos Ascenso André -, dispensando-se desta vez de os trasladar directamente do latim.

* Ainda em jejum, claro, que a inspiração urge. A seguir – tardérrimo, pois então – desceu para o pequeno-almoço e lá se lhe depararam uma vez mais os incompreensíveis, encanitantes, acintosos e totalitários horários de pequeno-almoço na maioria dos hotéis.
Depois, queixa-se.

Fazer, não fazer

«só consigo não fazer nada com grande esforço e muito nervoso, durante um máximo de três longos minutos.
[…]
Lazer parece ser um verbo activo, o contrário de jazer.»

O que é um rico?

«Os nossos ricos nunca se distinguiram pela sua riqueza, nem aliás (tirando meia dúzia de excepções) por qualquer especial virtude económica ou cívica. Não criaram empresas, não fizeram o menor gesto filantrópico (fora o velho Champalimaud), não intervieram inteligentemente na vida pública e política do país. E, quando as coisas por aqui se tornavam complicadas, em geral fugiam. 
[…]
E aqui surgia a principal dificuldade: como definir um rico? Não se podia, sem mais nada, entregar a tarefa ao dr. Fazenda

Aníbal Cavaco Silva

O microfone ao senhor Carlos do Carmo, por favor.
Carlos do Carmo ao João Céu e Silva: merecemos mais do que este homem, que foi primeiro-ministro e que é Presidente da República!

Tudo visto, lido e escutado; revisto, relido e reescutado, mantenho que o político Aníbal Cavaco Silva é a pior coisa que poderia ter acontecido a Portugal nos últimos 25 anos.

sábado, 27 de agosto de 2011

Deixemo-nos de merdas

Mariazinha

Família

«As famílias haviam de ser tratadas como empresas. São responsáveis por muito mais horrores do que qualquer empresa. Se calhar, até é preciso uma polícia para as famílias.»
Miguel Esteves Cardoso, “Famílias à vista| Público, 27.Ago.2011

«Pensem bem e vejam a diferença.»

«E se tudo isto não for, no fundo, uma crise, mas for o colapso definitivo do que se chamou o Estado social ou, com mais pedantismo e menos propriedade, "o modelo social" europeu, com que vivemos, ou tentámos viver, neste último meio século? Pensem bem e vejam a diferença.
[…]
As sociedades da social-democracia, que um conjunto especial de circunstâncias por um momento permitiu, não voltam.»

Não me apetece nada achar que o Vasco Pulido Valente está a ver bem as coisas.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sim,

Valupi.

[Curiosidade: fôssemos eu Plúvia ou ele Volupi, seríamos anagrama um do outro.]

De quem é a rua?

«Segundo o jornal i, a Câmara (de Lisboa) até nem hesitou em se dotar de uma empresa, a EGEAC, com 183 funcionários, para a conservação de salas (que, suponho, a "cultura" não deixou vender) e a organização de "eventos", presumivelmente do agrado da populaça ou de meia dúzia de tontos, que se acham beneméritos da humanidade.
[…]
Num Estado que proíbe tudo e regula tudo, a privacidade não conta. Só somos livres dentro de casa e com isolamento de som. A rua é de quem toma conta dela.»

Espionagem, conspiração e crítica literária

«Arrisquemos outra Lei Geral extremamente falível: a paranóia é mais nociva e contraproducente precisamente nas actividades que a justificam. Póquer, espionagem, ciúmes conjugais, crítica literária: qualquer situação que exija a manutenção de um estado de vigilância e suspeita permanente sobre significados ambíguos tende a engendrar uma cultura esotérica, que resvala inevitavelmente para o logro, a duplicidade e a complexidade irrelevante.
[…]
É isto que acontece à interpretação quando a deixam sair das suas arenas inofensivas. E é também o argumento mais persuasivo para nunca deixar os críticos literários no desemprego.»
Rogério Casanova, “Uma profusão de espelhos| Público/Ípsilon, 26.Ago.2011

É que, além do mais que é muito génio vertido em gramática de primeira água, o Casanova é um grande cómico; não assimilável, em qualquer caso, à subespécie dos ganda cómicos.

Cancro

«Parece que Deus, se Deus existir - o que explicaria tudo o que não compreendemos, compreendendo tudo o que não somos capazes de explicar - poupa mais as mulheres da morte mas, quando se trata de fazer sofrer, poupa mais as associações físicas dos homens (a próstata, o pénis e os testículos) do que as femininas (as mamas, o útero, os ovários, etc.).»

Porto,

fascínio.
Muito obrigado, Luís Ferreira.

Fernanda Câncio

Nem por vezes sem conta discordar da Fernanda Câncio e nem por me desentusiasmarem certas causas que a entusiasmam, deixo de aplaudir esta reacção.
Além de que a rapariga escreve bem como poucos.

Apocalipse

Quando pedi um pires de tremoços, o mundo estremeceu.
Quatro minutos depois, um caos de cascas.
- Quanto é?
- Os tremoços? Nada.


[Exercício acústico; isto é, estocástico.]

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Destino da RTP

Vá lá saber-se se por distracção, tédio, abulia ou desinteresse, certo é que não tenho visto debate na comunicação social acerca do grande desígnio do governo de Passos Coelho para o «futuro recente» da televisão pública, epitomado um destes dias, na Av. Marechal Gomes da Costa, em Lisboa, pelo ministro do pelouro, doutor Miguel Relvas, em três palavras simples para que chamo de novo a atenção:

Estamos a fanar* [minuto 01:00]

Todo um programa.
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*

- Ana, importa-se de chegar ao meu gabinete?

Admito que o assunto — três minutos de conversa — pudesse ter-se tratado ao telefone, mas não me senti comprometido quando a graciosa Ana, sem vestígio de petite mort no rosto, pelo menos nos três minutos mais recentes, rematou:
- Escusava de me ter feito vir aqui.

Sou o melhor

Alguém que o Eduardo Prado Coelho citava num dos seus memoráveis "O fio do horizonte", no Público, dizia, com a sabedoria da vida, que viemos sempre substituir um incompetente e seremos invariavelmente substituídos por um intriguista.
É.

Depressão e outras perturbações da alma

Nada como um bom espsialista.

Frivolidades

Tentações é uma separata da revista Sábado, bem feitinha e de proveito, em que os críticos atribuem às coisas sobre que se pronunciam – livros, filmes, espectáculos, discos, comes e bebes … - notas percentuais.
Por exemplo, na Tentações de hoje, o Eduardo Pitta dá 10% a uma novela do Paulo José Miranda – “Com o Corpo Todo”, edição da Ulisseia. Diz da coisa o Pitta:
Foda-se, como é possível levar a sério quem escreve assim? Como é possível uma chancela prestigiada como a Ulisseia andar a vender merdas destas? Quero ver se não compro.

Já a Inês Meneses dá 38% ao Paradigma, restaurante de Cascais [se Deus quiser, nunca hei-de comer lá], e 69% - curioso número… - ao À margem, na Doca do Bom Sucesso, em Lisboa, rematando assim:
Acho que já tinha dito que engraço aqui e ali com a Inês Meneses.

O medo é uma cena que*

Como dizem que vale a pena, tentamos.

«Os peregrinos começam por se dirigir até à capela de S. Bartolomeu, onde, acompanhados pelas crianças, dão três voltas ao templo com galinhas e galos pretos.
[…]
Esta prática não é reconhecida pela Igreja, que realiza apenas os actos litúrgicos.»
Pois não, não é reconhecida. Vinde daí, Dom Policarpo, que andais tão lambareiro e corajoso a alvidrar sobre tudo o que respeita à política do tempo – agora, como vos está de feição, louvaminhando  o passismo -, vinde daí dizer, com todas as letras, nos horários nobres das televisões ou, de preferência, na rádio local de Esposende: «A Igreja não reconhece estas práticas.». E ide insistindo até que o povo acredite que a Igreja se demarca terminantemente de práticas como esta. Vá, Dom José, coragem, vinde daí dizê-lo!
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Indolatria

- Tens tão boa índole, amor.
- Isso é porque me indolatras, amor.

Linkantoria*

A., que adora o Sinatra, apaixona-se por B., apaixonada pelo Sinatra, que se apaixona por A.. A. põe um  link para o Sinatra no blogue e dedica Para a B.. B. apaixona-se por C. que por sua vez gosta do Sinatra mais ou menos e se apaixona por B., apaixonada pelo Sinatra. C. põe o tal link para o Sinatra no blogue e dedica Para a B.. D., que prefere gregoriano ao Sinatra, apaixona-se por B., apaixonada pelo Sinatra, que por sua vez se apaixona por D.. D. põe o tal link para o Sinatra e dedica Para a B.. B., apaixonada pelo Sinatra, apaixona-se por E. que por sua vez e assim sucessivamente.

* Para a B., claro.

O homem do saco

passa os dias nos transportes públicos.
Só sai em paragens com correspondência que recolhe e leva sabe-se lá para onde.

Pegadas


O currículo paleontológico do doutor Octávio Mateus inspira grande credibilidade. Daí ser de afastar a hipótese de confusão entre pegadas de dinossauro e de dinossantos, a despeito da requerida e comprovada provectude* de ambas.

* Sei que acabo de me meter numa encrenca de dicionário. Paciência.

Europa

«Tudo isso se agregava sobre uma tradição histórica e um espaço geográfico que, para lá dos conflitos, das oposições, das tensões e das guerras, religavam os seis países fundadores, num ideal humanista e cristão que aproximava e tendia a integrar a Europa do Norte e a Europa do Sul, a Europa protestante e a Europa católica, como já Damião de Góis tinha tentado, entre Melanchton e Sadoletto...
Numa Europa ainda devastada pela guerra, nunca teria sido possível começar pela cultura, uma vez que a cultura não era disciplinável, nem institucionalizável, nem negociável, nos termos em que se podia dizer que o eram a vida política, a vida económica, a vida social.»
[…]
Sem a solidariedade, a Europa torna-se uma pesada avantesma e pode desaparecer de repente como o Adamastor n'Os Lusíadas: "Desfez-se a nuvem negra e cum sonoro / Bramido muito longe o mar soou".»

Quando não se lhe tolda a pena - e a pena tolda-se-lhe sempre no êxtase ditirâmbico com que fala do PSD e no paroxismo demoníaco com que se refere ao PS - o Vasco Graça Moura parece luminoso.
Para mim, quero dizê-lo, vale sempre a pena, até quando ensandece. Porque o homem escreve muito bem.

Acerca do tempo, esse grande escultor*,

e já agora convoque-se o doutor Sigmund Freud por conta de um lapsus calami do Relvas de alto lá com o charuto.
«O tempo tem três dimensões: o passado, o presente e o futuro. Evidentemente que para lermos o presente, temos que olhar também para o passado, porque nós somos os futuro do passado. Os homens e as mulheres** do passado também sonharam e tiveram uma perspectiva de futuro, de que nós, de algum modo, somos a concretização.»

[Anselmo Borges, à conversa com João Céu e Silva no DN de ontem. Não me está a apetecer digitalizar.]

Então e qué dê a 4.ª, a mais determinante das dimensões temporais?
Como foi possível o magnífico Anselmo Borges ter-se esquecido do futuro recente? Deus lhe perdoe, senhor padre, isso nem parece seu.
Recapitulemos: 
«A administração da RTP ficou, até 15 de Setembro, portanto nos próximos 30 dias, de preparar um plano de reestruturação do grupo RTP, a rádio e televisão, que nos permita abordar o futuro recente com maior optimismo e também com maior eficiência, que é isso que se pretende. Estamos a fanar, a falar de uma canal de televisão»
Este Relvas é imarcescível.
_____________________________________
*
** Na novilíngua desfracturada, o senhor padre Anselmo haveria de ter dito «@s pesso@s do passado»

Fruta

«Continuo a não saber distinguir um pêro de uma maçã.
[...]
De peras já percebo mais um bocadinho*.
[...]
É bom saber pouco, que há muito ainda para aprender. E saborear. Ou cuspir.»

* Não tudo ainda, efectivamente. Permiti-me, sem autorização do dono - espero que não leve a mal -, limpar o circunflexo nas três «pêras» da crónica, e não foi por causa do Acordo Ortográfico; nanja eu! Mas isso é mais com o amigo Guégués [guguégué].

Nesse caso, o quê?

- Cardume-me, por favor.
- Lamento, aqui não cardumamos.
- Mas dantes não cardumavam?
- Cardumava-mos, mas eu nunca cardumei e ó tempo que a dona Josefa se reformou. Já não se arranjam cardumadeiras como ela.
- Desculpe lá, tenha paciência, não é cardumava-mos mas cardumávamos.
- Como é que sabe que pus hífen sem acento? Por acaso até pus.
- Vi pela sua cara.
- Muito perspicaz.
- Tenho dias, como toda a gente. Quando quiser, pode trazer a continha.
- Quanto continha, lembra-se?
- Sei lá, talvez o dobro do que contem agora.
- Esqueceu-se do acento; afinal, não sou só eu.
- Também é muito perspicaz, vê?
- Não me envergonhe.
- Nesse caso...

Metalinguagem

- Metadona, metalepse e metalíngua. 
- Sim, mas onde?

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Acordei

com a puta de uma cãibra na perna esquerda; depois percebi: estava a sonhar contigo na posição errada.

O Figueira, assalariado do Relvas

António Figueira, por outrem em 22.Ago.2011:
«Vamos tentar situar as coisas.
Factos:
1 - O António Figueira foi diplomata até 2005. Entrou no MNE no mesmo concurso que o actual Chefe de Gabinete do Ministro Relvas, o Vitor Sereno.
2 - Até há muito pouco tempo, o António Figueira era um alto quadro da Cunha Vaz e Associados. "Era" porque o nome dele já não consta do respectivo site. Mas não sei se deixou de ser...
3- A Cunha Vaz fez a campanha política do PSD nas últimas legislativas.
4 - O Relvas é o Ministro da Propaganda
Estes são factos. As interpretações...
PS: O tal Vitor Sereno merece um tratado, não um post. Conhecido no MNE por "Don Vito", pela sua brilhante (e recente) passagem pelo cargo de Chefe de Gabinete do Secretário-Geral do MNE (antes fora Chefe de Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades António Braga, no Governo Sócrates, mesmo tendo sido militante da JSD... um homem para todas as estações, este Sereno), antecedendo a sua passagem para o Gabinete Relvas, levou consigo para o referido local um outro diplomata (Gonçalo Silvestre) e uma jurista do MNE (Silvia Gonçalves).
Ao que consta, levou também a legítima esposa para o Gabinete do Secretário de Estado do Desporto. Como se vê, a alcunha "Don Vito" fica-lhe a matar...»
Para que se veja.

António Figueira, por
António Figueira em 22.Ago.2011:
«Pedro, o meu percurso profissional foi feito por concurso: para os serviços de imprensa da Comissão Europeia, onde trabalhei dez anos, em 1986, e para a carreira diplomática, onde estive sete anos, em 1998. Pelo meio fiz uma pós-graduação, um mestrado e um doutoramento; estudei, ensinei e publiquei. Estive no privado entretanto e fui convidado agora para um lugar que se preenche por convite e não por concurso, com base na apreciação do meu currículo e não por favor político, que não possuo; vou servir a função pública e perco dinheiro em relação ao meu emprego anterior*; deveria recusar em nome de quê?**»

* Esta pede exegese palavra a palavra; e talvez uma conclusãozita mesmo que circunstancial.
** Em nome do dinheiro que vai perder, por exemplo.
Chorai arcadas do violoncelo…

António Figueira, por
Ferreira Fernandes em 23.Ago.2011:
«Ontem, soube-se que António Figueira, do blogue 5 Dias, foi contratado para o gabinete do ministro Miguel Relvas. Há nesta história um tipo certo (Relvas, que escolheu alguém culto e que escreve muito bem* ) e um tipo errado (PP - Pacheco Pereira -, que se enganou de revolucionário). É só.»

* O Ferreira Fernandes, que escreve muito bem, escusava de exagerar. Duas amostras ao acaso:

«Querido Carlos, no 5 dias, tratam-se apenas dos prolegómenos da revolução; a propriamente dita faz-se noutro lado.» - António Figueira, 28.Dez.2009

«os agentes da PSP da esquadra da Mercês, não só se solidarizam com dois torcionários, como fazem um uso claramente ilegítimo e ilegal da baixa médica; em qualquer caso, situam-se fora da legalidade democrática que são supostos defender» - António Figueira, 15.Jul.2011

Tratam-se de prolegómenos? Legalidade que são supostos defender?
Por que merda de gramática aprendeu o Figueira?

Enfim, nada de novo, la vie est là, simple et tranquille

Certeza absoluta

«É evidente que a Madeira … e tenho a certeza absoluta de que o Primeiro-Ministro nessa matéria será de um rigor e de uma …, escrupuloso até ao detalhe …»
Um canichezinho este José Luís Arnaut.
SIC Notícias, Jornal das 9, 22.Ago.2011 - minuto 13:40

Minuto 07:35, Maria de Belém Roseira - «Aliás, vamos lá outra vez ao artigo do Warren Buffett e o que ele refere de que realmente o principal sacrifício é pedido aos rendimentos de trabalho»
Que consideração pode merecer uma licenciada pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra que diz, como tantas vezes a tenho ouvido dizer, «refere de que», «referiu de que» ? Realmente!
Sei, o defeito, o preconceito, são meus, que nunca consegui ir à bola com esta consensual-melíflua abelhinha do PS, sempre lá, alegre sempre e gárrula até dizer chega.

Procura

- Pai, é “desinteria” ou “disenteria”?
- Procura em “notícias do trânsito”, filha.

[Inspirado neste magnífico texto.]

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Tudo está bem quando acaba bem

Mentiu a vida toda, conquistando assim a admiração, o amor e a glória.
À porta do Paraíso, acagaçado de remorso e receio, é recebido por Deus, Ele Próprio que, bonacheirão, simpático e malandreco, logo ali o serena:
- Entra, meu filho, não tenhas problema, que Eu Próprio não passo de uma impostura.

Das coisas enervantes

A intermitência da tinta permanente.

Falsa

Porque o é a modéstia tantas vezes e a imodéstia tão raramente?

Os bons rebeldes

Naquela terra africana governava um homem muito mau, pior do que todas as víboras do deserto juntas, Coronel de berço e de nome horrendo, Kadhafi.
Certo dia de Agosto de 2011, as pessoas boas chegaram e, com a ajuda de Alá e dos danados, perdão, dos da nato, tiraram o mau de lá; ou mataram-no ou ele matou-se ou ele fugiu, não se sabe bem. O certo e importante é que os bons venceram e logo ali, em Tripoli, puseram a governar um rei bom, o primeiro do novo reino: Rebelde I.
O mundo, Portugal incluído apesar do IVA, do Relvas, dos mercados e de outros eventos, ficou muito melhor.

Nota
Vinha para chamar a isto "A líbido dos rebeldes"; entretanto, lembraram-me de que não se deve brincar com coisas sérias.
- Ouve aí, ó Plúvio, mas não é com as coisas sérias, justamente, que vale a pena brincar?

A palavra evento

é uma insuportabilidade pestífera; o Rão Kyao, um músico medíocre.
Ainda assim mas não sendo fácil, consigo imaginar castigos mais duros do que assistir a um Evento abrilhantado pelo Rão Kyao. Não vejo, por exemplo, como pudesse aguentar sem cuidados paliativos um Evento abrilhantado pelo Rão Kyao com a participação especial do David Fonseca e da Eugénia Melo e Castro.

Caro leitor, lamento mas se vem aqui à procura de maledicência, close ou return. O que não falta por aí são blogues especializados nela. Este é mais do tipo chuva.

"Honestidade intelectual"

Que cuidado ou precisão de ordem semântica podem levar alguém a acusar outrem de "desonestidade intelectual" ou de falta de "honestidade intelectual"? Como se houvesse um cardápio de honestidades.
Honestidade/desonestidade não chega?

Zangaram-se

por causa dos email-entendidos.

domingo, 21 de agosto de 2011

O hino, a bandeira e outra questão de soberania,

à boleia da conversa do Pedro Vieira, estimável Irmão Lúcia, no Diário de Notícias de ontem.
DN [Alexandre Elias] - Sugere alguma alteração ao hino nacional?
Pedro Vieira - Se calhar várias! Não gosto daquela parte do apelo às armas, por exemplo.
DN - Parece-lhe bem a actual bandeira nacional?
PV - A bandeira actual é de um mau gosto horrível. Acabava com a esfera armilar e tirava o escudo e as chagas de Cristo. Devia ser vermelha de fundo com uma bola verde.

Pois eu acho que deveriam encomendar, para o hino - que é uma peça fanfarrona e belicosa, de partitura complexa, bem harmonizada [à alemã, pois então] mas de tessitura puxadíssima - uma música nova ao Jorge Palma [ou a qualquer outro no género desde que não seja a Mafalda Veiga] e uma letra diferente ao Carlos Tê; senão, à Adília Lopes já que a Natália Correia morreu. Quanto à bandeira – uma lúgubre catástrofe polissémica -, o Henrique Cayatte talvez estivesse capaz de conceber um trapo novo e bonito por preço simpático.
Mandasse eu, não deixaria de pôr na encomenda um novo presidente. Ante o desconsolo do actual, até o hino e a bandeira que temos ficam relativamente airosos.

IPO

«maravilhoso IPO, que ajuda muito mais do que pode a medicina»
Miguel Esteves Cardoso, "Um dia-não" | Público, 21.Ago.2011

Concordo, confirmo. Viva o IPO!

«A tragédia (ou a irresponsabilidade) começou logo em 1980»

  • XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura
  • Europália
  • CCB
  • Expo '98
  • Euro 2004
O VPV talvez exagere um bocadinho [oximoro?]; mas o Barreto, empregado do Pingo Doce e agenciado nas festas do Cavaco, tem sido muito pior.
um cheirinho de como, nos idos de 1994-1995, o António Barreto falava da Expo '98, o "Fungagá de Xabregas", que lá vinha, e - vale a pena recordar - de como se referia ao Aníbal Cavaco Silva, na altura em vias de ser corrido e de ter sido corrido de primeiro-ministro pelo santo do António Guterres. O tempora! O mores!

PS
Tenha paciência, Vasco, não é «convença os portugueses que o respeito da Europa» mas «convença os portugueses de que ...»
E, claro, raramente falha um módico:
«só agora a ministra Assunção Cristas nos tenta devolver a um módico de realismo e de sensatez»

2011

«2011, este ano espantoso, é um lugar assim. Não me recordo de um *, no meu tempo de adulta consciente e interessada, que acumulasse tantas ocorrências avassaladoras.»

* Nem eu, Fernanda.

sábado, 20 de agosto de 2011

"Cool"

«A música elaboradíssima, que buscou nas raízes do erudito e do popular, causou uma inflexão profunda no status quo do musical americano. Leonard Bernstein, assinando o mais brilhante score do musical moderno (só "My Fair Lady" o ladeia), foi o desencadeor-mor duma invulgar conjugação de talentos. Laurents e depois Wise, na busca do novo padrão Romeu e Julieta, e em que etnias se situa, Jerome Robbins, coreógrafo maior dos gestos activos do quotidiano, e Sondheim, em princípio de brilhantes autorias, que aqui aceitou ser apenas o letrista - só porque era com Bernstein. É Sondheim quem dá o tom da gíria de rua, do ano de 57, e por espanto não muito datada.
[...]
"Boy, boy, crazy boy, get cool, boy!". A música tensa, os gestos da dança, todos de contenção e súbitas explosões, são a mola anunciadora do que irá, fatalmente, acontecer.»

Maralhal

«Tarde [Gabriel Tarde] definiu em 1884 a sociedade como "uma colecção de seres que se imitam uns aos outros". À questão de saber o que é que está na base deste fenómeno de imitação de um indivíduo por outro e depois por uma multidão, responde Tarde: esse fenómeno releva da sugestão, que é uma forma de hipnotismo: o social é um estado hipnótico. Não ter senão ideias sugeridas e julgar que elas são espontâneas - eis a ilusão do sonâmbulo assim como do homem social.»

Risco sério de se enganar no destino

corre quem marca o código do multibanco nos botões do elevador.

A idade

«Começamos por dizer "quando eu era novo" - mas nós nunca fomos simplesmente novos.
Mais do que termos sido novos, fomos antes vários tipos de novo.
[...]
Quando éramos novos éramos velhos. Quando somos velhos, ainda somos novos. Resta saber, como sempre, ao que viemos.»

Caso Sonotone*

- Gosto da tua voz.
- Mais do que do meu avô?
___________________________
*

"Nisso"

Quem nunca recebeu o consolo e o reconforto de um amigo e assertivo caga nisso! não sabe da melhor marca de sanitas do mundo.

Termo de existência

Não tenho Facebook. Hoje, não ter Facebook - tê-lo é viver nele - faz tender qualquer pessoa de bem para uma acelerada e desprezível não-existência. Ainda assim,
o senhor Elias, a quem compro azeitona da boa, pão de Mafra, uvas, peras, melões, bananas, kiwis,  maçãs bravo de Esmolfe, melancias, cenouras, batatas, tomates, pepinos, alfaces, grelos, chouriço alentejano, queijo fresco e água de Monchique - coentros e salsa ele dá-me; pena raramente ter hortelã -, também não tem Facebook; já o avô dele, indiano, não tinha. Aliás, o meu pai, que assobiava muito bem, também não tinha.
Mas tenho um blogue*.

Enfim, a Fátima é que tem um blogue; eu é uma espécie.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Brincar às palavras

Não é que uma das minhas filhas, a que gosta de anagramatizar, 15 anos, viu o barco na estação de Cabo Ruivo, esta tarde, no metro de Lisboa?
Já eu descobri, igualmente esta tarde, que na expressão «bebi café» se juntam bica e café.
Experimentei «bebi cimbalino», mas não aconteceu nada. O Porto tem os seus mistérios.

Tomem lá um y

repassado de sexo.
Ficam a dever-me 1,60 €.

Senhores dos passos

Inumeráveis, anónimos e inexistentes leitores vieram-me ao algeroz protestar porque no verbete de há dias, "Forrobodó na biblioteca ...", pus o animal cão ao nível do animal peixinho-de-prata. Não vejo razão. Se for certo que o cão sabe muito, não é menos certo que o lepisma lê muito mais.
De resto, quanto não vale
esta coreografia, sound track e décor incluídos, comparada com o Fred Astaire todo.

O pensamento meridianamente claro da doutora Dalila

DN [João Céu e Silva]- As eleições clarificaram a situação política?
Dalila Rodrigues- É uma pergunta estranha, na verdade. Se clarificaram, não sei dizer. Se as coisas ficaram mais claras, sim. Sabe-se quem é que manda e quem é que não manda, bem como qual é o programa político. Nesse sentido, antes das eleições havia um pântano político, em que não se sabia se Sócrates era responsável, nem se sabia se a crise europeia o era - nada se sabia. E como era um Governo minoritário, também não havia uma definição. Por outro lado, para mim, a situação anterior ás eleições não era tão pouco clara assim! Era facilmente identificável quem tinha o poder e o modo como era exercido. Que a crise resultava do cruzamento de uma dimensão internacional com uma nacional, também era claro antes destas eleições.

Como é que diz que disse? Importa-se de repetir, devagarinho?
Ou seja: por um lado, a Dalila não sabe muito; por outro, sabe quase tudo; por outro ainda, não sabe falar. Será que sabe o que diz? Enfim, e citando-a, «!».