sexta-feira, 25 de abril de 2014

O amor é de outras leis

«[...] Um país justo onde não importa de onde se vem, qual o apelido que cada um tem ou o local onde se nasceu; um país onde não importa o dinheiro que cada um tem nem a maneira como se veste ou quem ama.» [minuto 10:50]
Esse é o país que o penoso Tozé Seguro se propõe construir no discurso eleiçoeiro, como quase todos de quase todos quase sempre, proferido esta manhã na Assembleia da República.
Faltou-lhe a ousadia de acrescentar, ao extravagante e demagógico «quem ama», e quantos ama na sua e fora da sua cama. para que a poesia acontecesse, Portugal ficasse melhor e a Humanidade mais próxima da salvação...
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A gente sabe que o senhor deputado aludia ao Código Civil, mas casamento - com quem casa -, além de não subsumir necessariamente o amor, é caso bem diverso deste.
Não por acaso, amor é coisa que só excepcionalmente ocorre, e uma única vez, na Constituição da República Portuguesa: na alínea b) do n.º 1 do artigo 293.º, ao destinar-se a utilização de receitas obtidas com reprivatizações - «As receitas obtidas com as reprivatizações serão utilizadas apenas para amortização da dívida pública e do sector empresarial do Estado, para o serviço da dívida resultante de nacionalizações ou para novas aplicações de capital no sector produtivo.»
Como se vê, nem ao Camões lírico mais inflamado ocorreria contexto tão arrebatadoramente romântico; ao Camões ou até ao próprio Emanuel.

Votar

«[…]
o voto tem actualmente, de maneira maioritária, o significado de uma rejeição, de desaprovação dos que tinham sido eleitos antes, por decepção. No entanto, a pergunta que se impõe com mais urgência, aquela que nos remete para a necessidade de um pensamento que resgate o voto à pura mecânica de uma democracia vazia, não é “votar em quem?”, mas “porquê votar?”.
[…]
Votar já não é escolher, mas consentir: nada poderá sair das urnas que não seja uma política das coisas. Chama-se “política das coisas” (segundo Jean-Claude Milner) à política que já nada decide e apenas admite, implicitamente, que tudo passou a ser inevitável. O que os governantes propõem aos governados está inscrito na ordem das coisas e estas decidem em lugar dos homens. Daí a ideia de que as coisas falam e dão ordens. “Votar em quem?” significa, hoje, prosseguir a política finita da força das coisas e não serve senão um regime que ganhou a forma de uma metástase do comércio, da publicidade e da comunicação instrumental.
[…]»

Ora viva,

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domingo, 20 de abril de 2014

sexta-feira, 18 de abril de 2014

25 de Arbil não existe

«As comemorações dos quarenta anos do 25 de Abril, as oficiais e as não oficiais, as da esquerda, as do centro e as da direita, são completamente inócuas, politicamente anestesiadas, de um conformismo idiota que serve sem a mínima reserva a reificação do passado. Por elas, não passa nem uma ligeira brisa de pensamento. Tudo desertou, ficou apenas o palco vazio de uma ideia. Parecem directamente inspiradas no modelo da Acção Paralela, esse comité de príncipes do espírito, inventado por Robert Musil, em O Homem Sem Qualidades, que tinha a seu cargo a missão patriótica de celebrar os 70 anos do Imperador da Cacânia, isto é, do Império Austro-Húngaro.
[…]
Todos se treinaram no exercício que consiste em fazer um uso público da História, mas todos desconhecem a lição que torna o passado carregado de presente, isto é, citável sem ser neutralizado e reificado. O significante vazio que mais recitam é “democracia”, tornado religião civil à escala planetária. Uns falam de democracia referindo-se a uma ordem jurídico-política; outros entendem-na no plano da prática administrativa, gestionária. Uns e outros parecem incapazes de interrogar tal conceito, de perceber a cisão que o habita e que o fez divergir em duas direcções diferentes. Por isso, deixámos de saber a que ordem de realidade política pertence a democracia. O que sabemos muito bem é que ela se tornou um mero dispositivo do discurso dos políticos. Ao ponto de poder ser entendida, hoje, como a religião dos governantes abandonada pela falta de fé dos governados.
[…]
A grande missão patriótica da nossa Acção Paralela nem precisa de se esforçar para encontrar a palavra de ordem que mais lhe convém, a verdade mais cristalina da ideia e do fundamento que buscava para comemorar. Essa palavra de ordem foi-lhe oferecida por uma alta representante da Nação, paralela em todas as acções e em todas as palavras que diz ou não diz, e resume-se a uma tirada que deve ser elevada a digno emblema das comemorações: “Isso não existe!”.»

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Do optimismo [2]

Enfim, tudo está bem quando acaba bem: o Manel jaz – fica por confirmar que foi a micose que o matou  –, burro morto, cevada ao rabo, o António e o Zé Maria deixam-nos o testemunho de que vão cumprir a promessa de que vão ser felizes, e ainda bem que a vão cumprir — a Humanidade está salva.

Aviso à navegação.
No asterisco ** do verbete que precede, substituí, após profunda e extensa ponderação de que emergi à beira da apneia,  a arte pela beleza. Cabe ao meu diligente leitor, após ponderação extensa e profunda, substituir o que tiver de substituir; mas eu, se fosse a si, ia era para um sítio onde não chova ler merdas de qualidade, das que ateiam o espírito.

José Alberto Carvalho, jornalismo de trampa

«[...]
não posso ocultar a perturbação que me invade quando vejo as imagens dos filhos de Manuel Forjaz a conversar sobre o seu falecido pai num programa da TVI, com José Alberto Carvalho. *
[...]
quatro décadas passadas sobre a herança humanista do 25 de Abril, que aconteceu para que, não apenas estes dois jovens, mas muitos cidadãos, assumam a sua vida privada como um facto necessariamente "social"? E em "rede"? Seja como for, no contexto breve destas linhas, o que tento focar é outra dimensão do problema. A saber: que aconteceu no jornalismo - sobretudo no jornalismo do espaço televisivo - para que até a própria morte seja invadida pela banalidade filosófica que, todos os dias, sustenta e promove o imaginário da imprensa "cor-de-rosa"?
[...]
Que faz que haja jornalistas como José Alberto Carvalho a renegar todos os dias a necessidade de respeitar a complexidade do real? Que faz que já quase não existam seres vivos na informação televisiva, mas apenas "símbolos" drasticamente redutores? No contexto da linguagem do pequeno ecrã, empurrar Manuel Forjaz para a condição de bandeira da "luta contra o cancro" é tão simplista como promover os concorrentes de A Casa dos Segredos a cruzados da "libertação sexual". 
[...]»
João Lopes, "A morte que está na televisão" | DN, 15.Abr.2014


Tirando a bazófia no cancro e a ostentação na morte**, Manuel Forjaz [13.Ago.1963-06.Abr.2014], pessoa de muita Fé, era – como se vê - um anjo. Imagino-o, na etérea hierarquia dos eleitos, de asinhas brancas a tocar harpa à direita do CEO do Céu. Mais dia menos dia, teremos reportagem. Na TVI, obviamente.
Não sei se sabe que o doutor Manuel Forjaz em Portugal, o ciiou da Ideiateca, é o detentor da marca Cliente-Mistério, entre outras coisas;  é um economista graduado pela Universidade Católica*** e o criador do TEDxOporto; é uma pessoa que financiou e construiu vários projectos de solidariedade social, entre eles os Pais Protectores, em Moçambique. - Rita Gonçalves da Rocha, advogada, SIC, 07.Nov.2012  
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O jornalismo contemporâneo atinge o paroxismo da epifania sórdida quando, ao minuto 29:13 e cuidando nós que nada sobrasse já para acrescentar à glorificação patética do defunto nas orelhas de três sofás, o director de informação da TVI revela ao país e ao mundo, de dedo espetado no espanto dos dois órfãos de lencinho: Uma última coisa, António e Zé Maria, algo que só soube ontem [O que vem a seguir é um algo obsceno, não trasladável para aqui.]

** É certo que as pernas de Carolina DeslandesDon't stop Believing - comovem qualquer pedregulho, mas temos muito que pedalar em Portugal até alcançarmos funerais com, por exemplo, esta estaleca [estastaleca, Plúvio?]. Nem com a igreja da Encarnação a abarrotar de empreendedorismo abonado presencialmente pelo ministro Pires de Lima, pinículo da Católica, aquilo quanto à música e à coreografia deixou de ter um ar aflitivamente pífio.
Deus sabe que, entre as coisas por que tenho maior respeito, só ponho a arte beleza antes da morte por determinação alfabética. Aliás, não fosse a morte, que valor teria o resto?

*** Persisto:

«Bobadela, tantos do tal

Reverendo padre Tolentino, lídimo poeta, prosador fecundo, sensível e decerto justa pessoa,

Venho interpelá-lo na sua qualidade de vice-reitor da excelentíssima Universidade Católica que tantas fornadas de altos-quadros tem posto a gerir,  a governar e a aconselhar Portugal e parte importante das suas instituições e empresas, para que, por favor, nos elucide, nos informe, nos diga que merda de orientação se inculca, se é que alguma, nas cabecinhas dos seus alunos, designada e principalmente dos cursos de Gestão, Economia e Direito, acerca das duas seguintes singelas coisas: escrúpulo e ganância.

Grato e com os cumprimentos da praxe,

Plúvio.»

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Gamártica

e uma coisa que me enerva.
«[...]
Assunção Esteves foi outra das demonstrações desse medo, lamentavelmente expresso por uma mulher que parecia "disagionata" desta irracionalidade que nos está a dizimar.
[...]»
Quantos leitores entenderão este disagionata do veterano plumitivo, confesso perfeccionista?
Talvez nenhum.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

José Sócrates e o mantra do arrependimento

José Sócrates- Eu sempre apoiei o doutor Durão Barroso porque considerei ser do interesse nacional que ele permanecesse como presidente da Comissão Europeia. E fi-lo contra a opinião do meu próprio partido e fi-lo contra a opinião de muitos partidos socialistas europeus. E fiz campanha por ele…
João Adelino Faria- Arrepende-se?
JS- Não, não, ao contrário! Estou muito convencido… e sabe, um político também já não tem, já não tem tempo para se arrepender. Como um grande filósofo dizia, arrependermo-nos é errar duas vezes. Não, não me arrependo. Estou convencido de que foi importante para o nosso país ter um presidente na Comissão Europeia.

Recapitulemos.

 

1. Na na altura muito badalada conferência que proferiu no Collège Universitaire de Poitiers em 03.Nov.2011 [Pagar a dívida é uma ideia de criança. […] As dívidas gerem-se.- lembram-se?], interpelado por um estudante sobre o que mudaria na sua governação de seis anos se pudesse voltar atrás, o ex-primeiro-ministro explicou-se [01:31:10],

- Nietzsche um dia disse uma coisa mais ou menos como esta: arrependermo-nos é errar duas vezes.

 

2. Na célebre entrevista ao Expresso de 19.Out.2013, Clara Ferreira Alves inquire José Sócrates sobre a nacionalização do BPN,

- Está arrependido?

Sem remissão filosófica ou endosso autoral, José Sócrates responde

- Arrependermo-nos é errarmos duas vezes.

 

3. José Sócrates no "Alta Definição" com Daniel Oliveira — SIC, 02.Nov.2013, minuto 12:30,

- O Nietzsche observava que arrependermo-nos é errar duas vezes.

 

Insisto no pedido e volto a prometer alvíssaras a quem me elucidar acerca da putativa afirmação de Nietzsche. Em que obra, página? Em “Humano, demasiado humano”? Não vejo... Tenho e li boa parte da obra de Nietzsche publicada em português; não que Nietzsche tivesse em grande conta o arrependimento ou o remorso, mas não me lembro nem me soa isto do ‘errar duas vezes’.

Talvez Bento de Espinoza [Ética, Parte IV, Proposição LIV]?— «O arrependimento não é virtude nem procede da Razão, mas aquele que se arrepende do que fez é duas vezes miserável ou impotente.»

Talvez, se bem que o que o sefardita português diz não seja exactamente aquilo que o nosso engenheiro repetidamente recita.
De resto, acho prepotente e tremebunda a suposição, de que discordo, de que o arrependimento represente sempre um erro dobrado.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Grande cagada

Recensão de História do Povo na Revolução Portuguesa / 1974-75, autoria de Raquel Varela, Bertrand, 2014

O jurista e historiador António Araújo, acólito da Presidência da República – olha ele, caminhando ao centro, na encomendação do Policarpo -, senhorio do fecundo Malomil, é bom e sabe muito. A generosa estrela, uma em cinco, que concede à beata Raquel há-de ser mais pelo esforço do que pelo mérito da obra: com 536 páginas, convenhamos, foi obrar...

Linguagem, imagem, imagem, linguagem, guagem, magem, agem, jjj

Conversa de António Guerreiro com Georges Didi-Huberman

Dizem-me que escusava de exagerar no

A senhora deputada Hísula Pena é uma ganda fufa; o senhor deputado Perliano Dores, refinadíssimo e alternadíssimo paneleiro

«Algo inédito se passou recentemente na vida política portuguesa: na sequência da rejeição da lei da co-adopção, um antigo dirigente da JSD e actual militante do PSD, Carlos Reis, denunciou a “hipocrisia” de dirigentes políticos que, segundo ele, são homossexuais e votaram contra. Desvelar, neste domínio, figuras públicas (ou quem quer que seja) é algo que suscita legítimas rejeições e muitas dúvidas. Daniel Oliveira, num artigo publicado no Expresso onlineficou-se por uma categórica e total rejeição: “A sexualidade de cada um não é um tema político” e “a política não tem de entrar na cama de ninguém”. E disse mais: que ser homossexual não obriga ninguém a ser liberal em termos políticos e de costumes e é cair num logro denunciar essas aparentes contradições. Os argumentos parecem correctíssimos, mas são de um simplismo desarmante, desde logo na completa despolitização da sexualidade, como se ela se reduzisse a puros actos sexuais e gestos da intimidade.
[…]
É com toda a veemência que temos de recusar esta ideia muito limpinha de Daniel Oliveira: “Um homossexual é apenas uma pessoa que tem preferência sexual e/ou amorosa por pessoas do mesmo sexo”. Igualmente falsa, escandalosamente falsa, é a ideia simétrica de que um heterossexual é apenas uma pessoa que tem preferência por pessoas do sexo oposto. Há boas razões para sermos contra o outing, mas nenhuma delas pode evocar o argumento de que “a sexualidade de cada um não é um tema político”. A lógica do outing é a da obtenção de uma confissão sob a forma de discurso que responde a uma injunção agressiva: “Quem és tu? Qual é o teu segredo?”. Ora, qualquer identidade é muito mais complicada e muito menos fixa (muito mais objecto de uma construção) do que aquilo que se pode inferir de uma “confissão” pública que supõe o postulado da homossexualidade imutável.
[…]
esse silêncio absoluto de alguns políticos acerca deles próprios emerge como puro cálculo político e passa a ser objecto de representação política.
[…]»

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Espírito consturtivo *

00:11
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* Entre outros valores que eu encontro em vó-je.

As hienas adoram cadáveres mornos

Que jornalismo é isto?
Por favor, senhor director de informação, suicide-se.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O desenrolar do processo *

… e outros verbos da família.
Pressinto que, por mais que o Dux das abomináveis praxes venha eventualmente a contar, nunca se chegará a saber o que de facto sucedeu na madrugada de 15 de Dezembro de 2013. A não ser que a Justiça resolva ouvir quem tudo sabe da tragédia. Mas esse, que estranhamente, ou talvez não, ainda ninguém arrolou nos autos, dificilmente ajudará: não que diga pouco; o problema é que se lhe enrola a fala sem que ninguém o entenda. Mar
avilhoso e malvado, como sempre.       
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terça-feira, 8 de abril de 2014

O crepitante Luís Pedro Nunes e o idiolecto do ódio

Luís Pedro Nunes, licenciado em Comunicação Social, com todos estes predicados e atribuições, um norte-alentejano vivido e vivaço, relativamente bem informado e com graça, que amiúde me diverte, chega a merecer dó quando, possesso de ódio congénito e descabelado a José Sócrates, se pronuncia sobre a governação socialista. A dicção, habitualmente límpida, atrapalha-se-lhe; o verbo, que ele é capaz de usar certeiro [O desconchavo do eis que senão, a par do irrascível e das cócigas, é talvez excepção; ou se calhar não.], transvia-se-lhe por penosas errâncias lexicais sem que ninguém, pela deferência intimidada que deve gerar à sua volta, lhe abra na fuça a caridade de um dicionário.
Dois exemplos recentes.

Eixo do Mal, 16.Mar.2014, minuto 48:30quando, não fazendo ideia do que «prelado» seja, deverá ter querido dizer "no seu consulado":
Luís Pedro Nunes– Quero aqui saudar com a alegria costumeira o doutor Vítor Constâncio porque tudo isto se passou no seu prelado, BPN, BPP, BCP…
Daniel Oliveira- Não só, não só…
LPN- Foi essencialmente no seu prelado
DO- Também apanhou Carlos Costa.
LPN- ... foi, foi, foi essencialmente no seu prelado, foi um bonito espectáculo que ele deu e um case study que ficará digno de ser analisado.

Eixo do Mal, 06.Abr.2014, minuto 05:20,  quando, ateado por socratofobia recidiva que Daniel Oliveira e Clara Ferreira Alves tentaram moderar, improvisou e soletrou uma «surrafa» tonta e inexistente para decerto dizer "à sorrelfa" ou "à socapa":
Foi Teixeira dos Santos que à surrafa pediu ajuda, à surrafa pediu ajuda, porque caso contrário era a perdição.

O ódio quase sempre nos faz perder. O discernimento, o vocabulário e a razão.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Atentado no telejornal

José Rodrigues dos Santos, escritor português, jornalista português, professor universitário português, pelas 20:42 de ontem na RTP 1, objurgava do seguinte modo a descrição que o anterior primeiro-ministro procurava fazer da moscambilha criminosa perpetrada no BPN pelo rapazio de Cavaco Silva, da qual, a crer nos odiadores profissionais da governação de José Sócrates, Vítor Constâncio tem a culpa toda*:
Mas a questão que estou a levantar aqui é que isto tem a haver com a contabilidade fictícia.
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* Até o Manuel Forjaz, empreendedor aclamado e consultor de negócios, homem de muita Fé, ainda teve energia para, com bondade infinitamente cristã, às 13:53 de anteontem, a poucas horas de, no sofá, o corpo se lhe metamorfosear num estado menos prolixo e já dificilmente entrevistável pelo pastorinho José Alberto Carvalho, chamar 'ostra acéfala' ao probo doutor Constâncio.
Deus lhes perdoe. E a mim.

Do optimismo [1]

Inês Maria Meneses - a própria - e 12.596 outras pessoas gostam disto.
Palavras-chave: gostar, nojouniversidade católica, facebook, falência, meninos-bem, ostentação, dinheiro dinheiro dinheiro, recato, sofrimento, pudor, banalidade, padre joão seabra, capitalismo, escrúpulo, infortúnio lotaria e sorte, fé, banha-da-cobra, ganância, alienação, morte, sucesso, certeza,  recolhimento, vida, pudor, despudor, evangelho do empreendedorismo, audiência e share, cancro, vaidade vaidade vaidade vaidade vaidade vaidade, ricos e pobres, ignorância, sabedoria, comedimento, perda, silêncio, perplexidade, sofá.
Pergunta-chave: em que medida, sendo já cadáver, sou dono do meu cadáver, de tal modo que me farei obedecer acerca dele e do meu elogio, dando ordens com o verbo querer no pretérito perfeito simples?
Resposta-chave: que vale e que significa cada palavra?
Estou vivo e apetece-me cagar. Depois se verá. Por enquanto e pelo menos até que o repulsivo futuro primeiro-ministro* retire os sem-abrigo da rua, quem sabe se mesmo contra a vontade dalgum que nela teime em continuar, parecemos todos uns miseráveis à espera da ceifeira. Esperneamos, deslumbramo-nos e já não é pouco.
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* No Eixo do Mal de ontem, a partir do minuto 19:35, Clara Ferreira Alves insistia em quão perigoso na política este homem é. Concordo com ela. Perigoso, patareco, repulsivo**.
** A minha subida estima pelo político doutor António José Seguro não é de ontem. Escrevi isto, num blogue que esvaziei depois de durante três meses me ter apatetadamente metastizado nele, na noite – 05.Jun.2011 - em que José Sócrates, derrotado pela democracia, desistiu de liderar o PS e AJS se chegou, humildemente, à frente. Às vezes gosto de fazer redacções.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A poesia

«Falemos de uma coisa que interessa a pouca gente: a poesia.
[…]
quanto mais se assiste ao enfraquecimento da irradiação social e cultural da poesia mais ela é objecto de celebração e de auto-sacralização. Podemos pois dizer que os piores inimigos da poesia não são os que acham que ela é uma inutilidade obsoleta (contra esses tem ela os seus escudos), mas os que a celebram para a recomporem num estado teológico-poético. Toda a história da poesia moderna nos ensina que o amor da poesia é o que de mais pernicioso existe para ela. O Dia Mundial da Poesia é uma consagração universal desse amor, celebra-a na sua ideia e no seu mito. Exalta-a no seu “estado” eterno.» 
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Ainda de António Guerreiro, "O amor é polimorfo" – Recensão de Tudo são histórias de amor, de Dulce Maria Cardoso, Tinta da China, Fev.2014 | Ibidem