terça-feira, 28 de abril de 2015

Mário Soares enlouqueceu? *

«O mundo está cada vez pior. A natureza está a revoltar-se contra as agressões sobre a Terra que os mercados usurários lhe estão a causar. O que se passou recentemente no Chile é um exemplo de grande gravidade. Mas não só no Chile, também agora no Nepal, com repercussões na Índia, China e Bangladesh, onde um sismo de grande proporções vitimou milhares de pessoas. Não podemos ver estes factos como meros fenómenos naturais. Mas atenção, se não se agir contra, a Terra, a nossa Casa Comum, corre grandes riscos...»
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*- Mas, ó Plúvio, loucura, ok, todos temos um pouco. E santo, o Marocas, nada?
- Muito:
«A chanceler Merkel, invocando o dinheiro alemão e impondo a política dita de austeridade aos Estados vítimas dessa mesma palavra, que mata, como disse o bom Papa Francisco»
06.Mai.2014
«a austeridade que mata, como diz o Papa Francisco.»
27.Mai.2014
«há personalidades excepcionais que se impõem hoje no mundo, como amantes da paz, da democracia social, dos direitos humanos e do respeito pela natureza. A principal, sem dúvida, é Sua Santidade o Papa Francisco, o amigo dos pobres. Digo-o com total independência porque, como se sabe, nunca fui religioso. Não é só por ser amigo dos pobres e por falar, por igual, com crentes e não crentes, sejam de que natureza for. Mas também por procurar a igualdade entre homens e mulheres e ser contra o domínio dos mercados usurários que hoje controlam a política e estão a destruir o mundo, em busca dos negócios, que lhes tragam cada vez mais dinheiro, mais petróleo, mais gás, mais ouro e outras riquezas e, por outro lado, a destruir perigosamente o ambiente. O Papa Francisco é contra o negocismo, em especial no Vaticano, mas não só, e deplora a austeridade, que, segundo ele, mata.
[…]
Voltando ao Papa Francisco. Na noite de sexta-feira 13 de Junho, Portugal assistiu, através da SIC, a uma entrevista feita por um jornalista judaico, Henrique Cymerman. O Papa respondeu-lhe muito bem e com grande paciência e bondade. O jornalista nem sequer falou uma só vez da Palestina...»
17.Jun.2014
«A Troika é quem manda e a austeridade que, como disse o Papa Francisco, mata, continua a mandar.» 
07.Out.2014
«como disse Sua Santidade o Papa Francisco, a austeridade mata.
[…]
Não sendo religioso tenho seguido com muita atenção tudo o que tem defendido o grande Papa Francisco. É alguém que tem vindo a dar à Igreja um novo rumo de grande importância. Nos últimos dias bem o demonstrou com a abertura de espírito que sempre se tem imposto.»
21.Out.2014
«Os discursos a que me referirei a seguir, de Jean-Claude Juncker e de Martin Schulz, são a prova de que tudo está a mudar, mesmo a austeridade, que mata, como escreveu o Papa Francisco.» 
28.Out.2014
«Um Governo que depende da Troika e que mantém ainda agora a austeridade, que conduz, como diz o Papa Francisco, ao pior.»
04.Nov.2014
«O EXCEPCIONAL PAPA FRANCISCO
Uma edição especial sobre o Papa Francisco foi publicada agora na revista francesa Le Figaro. Vale a pena lê-la porque se ocupa das lições a tirar do Sínodo, de como se governa a Igreja, da visão que tem do Mundo, das reformas que tenciona fazer no Vaticano e, finalmente, de quem é Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco. Não sou religioso, como se sabe, mas não deixo de ter por este Papa um enorme apreço e admiração.»
18.Nov.2014
«No dia em que este texto for publicado, Sua Santidade o Papa Francisco irá falar no Parlamento Europeu, a convite do Presidente Martin Schulz. Será um excepcional e único acontecimento para a União Europeia.»
25.Nov.2014
«SUA SANTIDADE O PAPA FRANCISCO
Nunca o Vaticano teve um Papa com a bondade, a generosidade, a dignidade e a capacidade de falar com toda a gente e de correr o Mundo dialogando com católicos e não católicos e crentes e não crentes. Não sou religioso, como se sabe. Não obstante conheci pessoalmente vários Papas, de grande valor, que tive a honra de visitar no Vaticano e que nos anos em que fui primeiro-ministro e presidente da República me visitaram. Mas devo reconhecer que nenhum se pode comparar ao Papa Francisco que, infelizmente, não conheço. A minha Mulher, que se tornou católica desde que o nosso Filho João esteve a morrer e se salvou, é desde então crente e já foi a Roma ver este Papa. O discurso que o Papa Francisco fez no Parlamento Europeu a convite de Martin Schulz, um excelente Presidente do Parlamento, foi notabilíssimo. Condenou as práticas tecnocráticas e economicistas da União Europeia e apelou ao humanismo da acção e ao reforço da dignidade das pessoas. Com uma reacção impressionante e positiva de todos os Grupos Parlamentares. Foi inédita a ida do Papa Francisco à Turquia, onde foi recebido com todo o respeito pelos mais altos dignitários da Igreja Ortodoxa, que têm tomado consciência do papel do Papa Francisco em prol da paz e da dignidade da pessoa humana.
[...]
Só duas pessoas têm criticado a nível mundial o pior: o Papa Francisco e o Presidente Barack Obama, que sabem os perigos do futuro e têm feito tudo para o tornar melhor. Que sejamos capazes de lutar pelo que nos ensinam. Visto que ambos, crentes ou não, se compreendem bem.»
02.Dez.2014
«O PAPA FRANCISCO
Os portugueses, em geral, sabem que não sou religioso. Mas num país de gente católica e dadas as funções que exerci, conheci alguns Papas que vieram a Portugal - e em especial a Fátima - e eu tive que os acompanhar, e um pelo menos levei à Madeira e aos Açores. Outros como João Paulo II, visitei no Vaticano quando fui a Assis. O meu Pai foi padre - mas conseguiu casar religiosamente com a minha Mãe - que não era especialmente religiosa ou, como dizia o meu Pai: "Só se lembrava de Santa Bárbara quando trovejava..." Vem isto a propósito do actual Papa Francisco que eu considero alguém de muito excepcional qualidade ética e que muito admiro. Há um livro intitulado "A Revolução suave do Papa Francisco" da autoria de Victor Manuel Fernández em conversa com Paolo Rodari, de tradução portuguesa, que diz: "Para o Papa Francisco, a Igreja deve saber adiantar-se, tomar a iniciativa sem medo, sair ao encontro, procurar o que está longe e ir às encruzilhadas dos caminhos, convidar os excluídos". É o que tem feito de uma forma extraordinária. Sua Santidade o Papa Francisco na mensagem que enviou à vigésima Conferência sobre o clima, que terminou no dia 12 no Peru disse - cito: "O tempo para enfrentar as mudanças climáticas está a esgotar-se". É em absoluto verdade. Cito: "As consequências das alterações climáticas, já se sentem de forma dramática... Lembram-nos da gravidade da incúria e da inacção". Honro-me de ter dito isso mesmo no ano passado quando as ondas enormes destruíram parte das areias de toda a costa portuguesa. O Papa Francisco é um homem invulgar que fala com toda a gente, sobretudo os mais pobres e mais necessitados, que vai a todo o lado e que dialoga com os crentes e os não crentes e toda a espécie de religiosos: ortodoxos, judeus e islamitas. E é acima de tudo um verdadeiro Santo.
[…]
Falo da mudança de clima como referiu o Papa e do que já escrevi em textos anteriores, mas que de novo vai acontecer, como ou pior, do que no passado inverno, quando destruiu muitas das nossas praias.»
23.Dez.2014
«impuseram-se duas personalidades de excepção, que sendo muito diferentes, se evidenciaram em defesa de causas da humanidade, sobretudo dos mais pobres, doentes, velhos e jovens, e se bateram contra o endeusamento dos mercados. São eles o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o Papa Francisco.
[…]
Quanto ao Papa Francisco, pode considerar-se verdadeiramente excepcional visto que está a transformar, no plano da igualdade democrática, o Vaticano. Mas não só. No plano internacional, tem percorrido o Mundo e, por onde passa, propõe activamente a paz, a luta pela dignidade das pessoas e dos seus direitos, destacando especialmente os que mais sofrem. Fala com católicos e seguidores de todas as outras religiões, crentes e não crentes. Por isso as pessoas de todos os Continentes o respeitam e os que acreditam nos direitos humanos, o admiram.»
30.Dez.2014
«O PAPA FRANCISCO
«Na época natalícia o Papa Francisco não se cansou de defender os pobres onde quer que existam. Mas a mensagem papal no início do ano — 1 de Janeiro de 2015, também o Dia Mundial da Paz — foi excepcional, evocando "a luta contra as formas modernas de escravidão". Na União Europeia, desde a sua fundação, nunca se pensou em qualquer forma de escravatura. Talvez porque todos os Estados tinham uma forma aberta de democracia social e de liberdade. Que desapareceu em Portugal na actualidade. Mas os mercados usurários, não só criaram grandes problemas à Terra, a ponto de a poder destruir, como através da globalização tentaram criar na União Europeia crises, em vários Estados, de forma a destruí-los através da chamada austeridade, que segundo o Papa, mata e que o Governo português desgraçadamente continua a manter. Talvez, por isso, na Mensagem do 1º de Janeiro, o Papa Francisco pediu — e muito bem — que se lute "contra as formas modernas de escravatura".
[...]
milhares de portugueses foram obrigados a emigrar por falta de trabalho, além de muitos outros terem visto serem reduzidas as suas pensões, a ponto dos filhos e eles próprios passarem fome. Não será isto, como disse o Papa Francisco, "uma forma de opressão moderna"? Ou seja, volto a citá-lo: "a corrupção de quem está disposto a fazer qualquer coisa para enriquecer". Não há qualquer oportunidade para trabalhar em Portugal e por isso há tanta escravidão e servidão. Há imensa corrupção e, como disse o Papa na sua Mensagem de Ano Novo, "A corrupção acontece no centro de um sistema económico onde está o deus dinheiro e não o homem, a pessoa". E acrescentou: "as formas de escravidão modernas são a prostituição e o tráfico de órgãos", tendo também destacado "o direito de toda a pessoa a não ser submetida à escravidão nem à servidão". Por fim, referiu "os conflitos armados, a violência, o crime e o terrorismo", ou seja, outras formas de escravatura. O Vaticano está de parabéns com este extraordinário Papa.»
06.Jan.2015
«UM PAPA ADMIRÁVEL
Apesar de não ser religioso, como os portugueses sabem, por dever de ofício tive a honra de conhecer vários papas inteligentes e extremamente correctos. Mas nunca nenhum como o Papa Francisco, que admiro imenso, apesar de nunca ter tido a oportunidade de o conhecer pessoalmente. A minha mulher sim, foi a Roma especialmente para o conhecer e, no meio da multidão, beijou-lhe as mãos. E não o esquece e admira-o, tendo lido quase todos os livros publicados sobre o Papa. No último domingo, o Papa Francisco esteve nas Filipinas e não deixou de criticar "as escandalosas desigualdades sociais do país e a necessidade de dar combate às corrupções". Disse-o numa missa com sete milhões de pessoas. Situações que não existem só nas Filipinas mas também em alguns Estados da União Europeia, como por exemplo em Portugal, devido também à austeridade que tem vindo a destruir o nosso pobre país, desde que existe o actual governo. Austeridade, diga-se, que o Papa Francisco diz — e muito bem — "que mata". O Papa Francisco disse nas Filipinas que "a corrupção é endémica e atravessa todos os sectores da economia, da administração pública e do sistema judicial, através de aliciamentos, subornos, desfalques, negócios paralelos, nepotismo e favorecimento". E acrescentou que "em 2008, o Banco Mundial considerou este país o caso mais grave de corrupção da Ásia". Pensei em Portugal e perguntei-me: se o Papa vier um dia a Fátima e compreender o que se está a passar no nosso querido país, o mais pobre da União Europeia, sem que o patriarca lhe diga nada sobre a situação do nosso povo, tão amargurado e exaurido e que levou tantos portugueses ao exílio, o que irá pensar e dizer? Nada de bom, seguramente.»
20.Jan.2015
«Austeridade que mata, como disse o Papa Francisco com a sua sagacidade.»
27.Jan.2015
«há duas figuras exemplares que tudo têm feito para mudar a situação deste nosso planeta, que pode desaparecer de um momento para o outro. Refiro-me ao Papa Francisco e ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
[…]
(Pedro Passos Coelho) considerou a vitória de Tsipras como uma brincadeira de crianças e pretende manter a austeridade que, segundo o Papa Francisco, mata.»
03.Fev.2015
«E que deixe cair a austeridade, que mata, como disse o Papa Francisco.»
10.Fev.2015
«Como o Papa Francisco com a sua visão vem dizendo: "a austeridade mata".»
17.Fev.2015
«a austeridade que mata, como diz o Papa Francisco, mantêm-se inalterável.
[…]
ministros gregos, que entendem como necessário para os Estados democráticos e de direito acabar em absoluto com a austeridade que, como tão bem disse o Papa Francisco, mata.»
24.Fev.2015
«o Papa Francisco, que tem tido uma extraordinária importância na relação entre o que pensa e diz e as pessoas que, por todo o mundo, o ouvem. Por mim, que não tenho qualquer religião, mantenho por ele uma grande admiração.»
24.Mar.2015
«Os contactos que António Costa teve com o Papa Francisco, bem como com os socialistas espanhóis e italianos, foram importantes.
[…]
também contam a inteligência do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e todas as importantes acções do grande Papa Francisco, sempre ao lado dos pobres.»
31.Mar.2015
«(António Costa) conheceu e falou com o Papa Francisco, amigo dos pobres e dos que defendem a democracia e a liberdade.
[…]
Toda a gente sabe que não sou religioso, de nenhuma religião. Mas nestes últimos dias decidi ler alguns textos do Papa Francisco de grande sensibilidade humanística. Fala com toda a gente e sobretudo com os mais pobres e necessitados, tendo na Páscoa visitado presos de uma cadeia italiana e denunciado o massacre contra católicos no Quénia. Essa característica fez que eu, talvez pela primeira vez, tenha respeitado a Quinta-Feira Santa, que, fiquei a saber, foi o nome dado ao dia em que Jesus celebrou a Páscoa judaica com os seus 12 discípulos. Evento também conhecido como a Última Ceia. Mas também segui a Sexta-Feira Santa como uma festa religiosa cristã, que relembra a crucificação de Jesus Cristo e a sua morte no Calvário. E ainda a comemoração da fé cristã, a crença de que Jesus morreu e ressuscitou ao terceiro dia, que culmina no domingo de Páscoa. Claro que nos tempos que correm não se pode invocar tão-só a fé cristã, porque há outras religiões que se impõem, particularmente a religião muçulmana, que, porventura num futuro próximo, terá mais seguidores do que a cristã. Num mundo em crise, em que há tantas guerras e conflitos, pobreza e outras desgraças, é importante ter em conta as diferentes religiões. Tendo o Papa Francisco apelado ao espírito de solidariedade que, como diz "... constitui um fermento de esperança".»
07.Abr.2015
«antes do [de o, s.f.f., senhor doutor] actual governo ter iniciado as suas funções, aderindo à austeridade que mata, como diz o Papa Francisco
[…]
sempre considerei o presidente Barack Obama um político excepcional, só igualável ao Papa Francisco»
14.Abr.2015
«O Papa Francisco pronunciou-se com muita inteligência sobre o assunto e fez um apelo veemente à União Europeia para que se encontrem soluções para a tragédia a que se tem assistido»
21.Abr.2015
«como o Papa Francisco diz, a austeridade mata, e tem vitimado muitos portugueses. É preciso acabar com ela.»
28.Abr.2015
- Palavras de Mário Soares, negritos meus, recolhidas aqui e aqui, do seu apostolado no Diário de Notícias dos últimos 12 meses, de Maio de 2014 a Abril de 2015 -

Com três padres a jantar lá em casa e o bordão Papa Francisco a formigar-lhe a prosa, não espanta que Mário Soares, "apanhado do clima", rume agora para a santidade, desacreditando e borrifando-se no entendimento do mundo físico do seu proto amigo fraterno Mário Ruivo. A esta hora da madrugada e ante a insânia dos elementos, não consigo confirmar se o emérito cientista e conselheiro vitalício da fundação epónima perfilhou entretanto, igualmente, alguma explicação sócio-económico-político-financeira do ciclo das marés e da direcção dos ventos.

Apetece dizer que a natureza é humana.

Contra terramotos e vulcões, marchar, marchar!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

No mar e no campo

«O Mediterrâneo é um mar de mortos ou a passagem mais directa para um “campo de retenção”.
[…]
O retido não substituiu o refugiado. Este continua a multiplicar-se numa altura em que se tornou evidente que a guerra civil mundial é a forma comum da guerra contemporânea. E esta guerra deu origem ao “campo de refugiados”, que é outra modalidade do “campo de retenção”, mas com um objectivo comum: não deixar que o “refugiado” adquira qualquer qualidade política proveniente de um direito de cidadania. Refugiados e retidos tendem assim hoje a confundir-se porque ambos estão devidamente enquadrados por uma política de exclusão e segurança que os obriga a regressar coercivamente ao lugar onde estão votados à morte.»

quarta-feira, 22 de abril de 2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Como vou conseguir continuar a pôr a cruzinha nesta gen..., perdão, corja?

 «[...]
São tão parecidos, o roto e o nu, que dificilmente se poderiam encontrar, no desgraçado Olimpo da política portuguesa, duas almas tão gémeas (com a excepção dos trigémeos Duarte Lima, Dias Loureiro e Oliveira e Costa): a mesma origem beirã, o mesmo fascínio por Paris, a mesma imitação de Jack Lang, o mesmo gosto pela passadeira vermelha - que percorrem com os mesmos fatos impecáveis -, a mesma vocação filosófica, a mesma propensão para serem alegadamente culpados, o mesmo hábito de serem regularmente presentes a juízes; e, o mais importante, o mesmo PS.
Carrilho e Sócrates são figuras principais de um PS que todos gostaríamos de esquecer, menos, aparentemente, o próprio PS, que todos os dias o lembra a toda a gente: um PS que alegadamente bate na mulher; um PS que alegadamente recebe dinheiro sujo; o PS de Carrilho e Sócrates.
Como poderá um cidadão, minimamente decente, rever-se nesta gente?
Como poderá um cidadão, preocupado e atento à política, confiar num partido que alberga tamanha corja lavadeira de roupa suja?
Como poderá um cidadão, simultaneamente farto das políticas de hoje e dos escândalos dos políticos e dos empresários de ontem, acreditar que o PS está diferente, quando uma súcia de socialistas passa dias a cantar "grândolas" à porta da prisão de Évora?
[...]»
Pedro Bidarra, "Diz o roto do nu" | DN/Dinheiro Vivo, 18.Abr.2015

Miséria moral de Pedro Passos Coelho. Evidentemente.

«Apesar de ter servido em governos do Partido Socialista […]
e endossar evidentemente as minhas mais sentidas condolências […]»
Pedro Passos Coelho, ao jantar de 18.Abr.2015, em Torres Vedras.

Muito bem, Nuno Saraiva DN, 19.Abr.2015.
Muito bem, Ferreira Fernandes DN, 20.Abr.2015.

domingo, 19 de abril de 2015

Física de partículas e os tempos modernos

O corpo de Mariano Gago não foi ao forno.
E dessas merdas sabia ele...

Fernanda Câncio esqueceu-se da farinha de fava

«[...]
Contextualizemos. Até 1975, o Código Penal português incluía aquilo que nos países muçulmanos o Ocidente reputa de bárbaro: crimes de honra. Permitia-se ao marido enganado matar a mulher e o respectivo amante sem mais castigo que uns meses fora da comarca; o mesmo para o pai que matasse as filhas "desonradas" se menores de 21 e a viver "sob o pátrio poder". O Código Civil autorizava repudiar a mulher que fosse não virgem para o casamento, no qual estava submetida ao "chefe de família", que podia abrir-lhe a correspondência, dar-lhe ou não autorização para ter emprego e decidia tudo sobre os filhos (a mãe tinha "o direito de ser ouvida"). A mulher era ainda obrigada a viver com o marido, que podia exigir à polícia a sua devolução caso fugisse. Isto tudo era lei, há 40 anos. Era lei a submissão da mulher, era legal este desprezo que a tratava como menos que pessoa inteira, a nomeava e manietava como propriedade masculina.
[...]»

Tivesse a jornalista à mão o Diário de Notícias de 13 de Fevereiro de 1941, quão mais expressivo e vigoroso ficaria o contexto.

Marcelo Rebelo de Sousa

«[...]
considero o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa uma cristalização retórica de um entendimento rudimentar da política, reduzindo todas as eventuais clivagens a peripécias mais ou menos frívolas e fulanizadas.
[...]
a postura televisiva de Marcelo Rebelo de Sousa não passa de uma variante da imensa pobreza cultural que encontramos à direita e à esquerda. A começar pela patética ausência de pensamento sobre a própria inscrição da política em televisão.
[...]»

António Guerreiro

. Herberto Helder e o senhor Oliveira
«João Pedro George coleccionou tudo o que se escreveu sobre Herberto Helder, em jornais e revistas, após a sua morte, e publicou o resultado do seu trabalho de sociólogo enxertado em mitólogo no jornal on-line Observador, com o título Herberto Helder: sociologia de um génio. Seguindo canónicos preceitos, começa por apresentar o objectivo do seu trabalho: “Perceber como se fabrica um ‘herói’ literário e avaliar as crenças que sustentam a literatura.”
[…]
o laboratório georgiano, de onde devia sair ciência pura, capaz de revelar no corpus de textos recolhidos todas as “mitificações”, afinal labora no erro. O primeiro erro fundamental é o de não perceber que é preciso distinguir entre o cidadão Herberto Hélder [com acento no “e”] Bernardes Oliveira e a figura do poeta elaborada na obra — uma figura à qual assimilamos, simplificando um pouco, a figura autoral de Herberto Helder. Insurge-se João Pedro George contra os mitificadores: “Como se Herberto Helder e Herberto Helder Luís Bernardes Oliveira não fossem uma e a mesma pessoa.” Na perspectiva do mitólogo, através da “duplicação de personalidades” (entramos assim no diagnóstico psiquiátrico) realiza-se um processo de automitificação. Daí que, para não cairmos nas suas manhas, devêssemos interromper o poeta mitificador e os seus adjuvantes (isto é, todo o “meio literário”) e gritar-lhe: “Quem és tu, ó Herberto, para te tomares por Herberto Helder e fazeres de conta que não és o Bernardes Oliveira?”. O pressuposto de João Pedro George, que invalida toda a sua análise, impede-o de compreender o que é da ordem de uma exigência puramente literária e o que é da ordem da realidade. O mito do poeta Herberto Helder é consubstancial à obra.
[…]»

Fiat lux

Um homem nunca deveria ser privado de luz.
Fiquei fã de John Simopoulos, 12.Jun.1923-04.Mar.2015**, desde que José Cutileiro mo apresentou, já memória, no passado dia 11, não sem se ter divertido e gozado com o  fôlego do leitor interpondo as habituais, no mínimo, 245 palavras entre o sujeito e o predicado [«John Simopoulos ... foi exemplo inigualável do que era um professor de Oxford,»] e mais 200 até ao primeiro ponto final, do primeiro período*.
«[...]
Sem liberdade de vagabundagem intelectual e de ócio, o conhecimento teórico definhará. (O risco em Portugal aumenta por filistinismo generalizado: as pessoas querem ser doutor/as não para saberem mais mas para "passarem a portugueses de primeira").
[...]»
___________________________________________
* Sábado, 21 de Fevereiro de 2015, foi o dia em que José Cutileiro perdeu a cabeça: «Carl Friedmann Djerassi [29.Out.1923-30Jan.2015**, um dos pais da pílula contraceptiva] morreu na sua casa de São Francisco da Califórnia no passado dia 31 de Janeiro de complicações de um cancro dos ossos.»
Falou e disse.

** Morre-se muito a partir dos 90.

E as cidadãs, foda-se?

«Mas quero, perdoem-me, saudar sobretudo as militantes e os militantes do PS, as simpatizantes e os simpatizantes do PS, as eleitoras e os eleitores do PS, os cidadãos de Portugal, porque é pelos portugueses e pelos cidadãos que aqui estamos e que existe o PS!»

E as portuguesas, porra? Imperdoável, doutor Costa.
Se o ridículo matasse...

sexta-feira, 10 de abril de 2015

António Guerreiro

  
. Goa revista e experimentada
Recensão de Era uma vez em Goa, livro de Paulo Varela Gomes.
«[...] Era uma vez em Goa foi publicado numa colecção de livros de viagens, mas está longe de se conformar às convenções desse género literário. Também não é uma fábula (como a fórmula do título pode levar-nos a supor) nem um romance histórico. Mas ele é um pouco de tudo o que dissermos que ele não é […] E tudo isto, que é mais fácil descrever pela negativa, é temperado pelo humor. [...]»

. A estupidez como vocação
«[...] a presunção de inteligência é, como sabemos, uma prova de estupidez inelutável. Ainda assim, conscientes de que ainda só vamos no primeiro parágrafo e já caímos na armadilha fatal, avancemos. Mas não sem antes formular uma outra fatal contradição a que este texto sucumbe, mesmo sem nomear ninguém e procurar deter-se numa categoria: a contestação e a risota de que é alvo o cronista estúpido e cretino são a garantia do seu sucesso e asseguram-lhe longa sobrevivência. Ele assumiu a missão de restaurar com grande aparato a função-autor, até ao ponto de lhe dar a feição demagógica de um estilo, já que a exibição de um estilo é sempre o triunfo de traços demagógicos e de um sujeito insolente, vazio e muito vaidoso. Como é sabido, a estupidez tem uma relação estreita com a vaidade. E o idiota, como evidencia claramente a etimologia do termo, polariza-se de maneira obsessiva sobre o seu Eu e confere um privilégio desmesurado ao seu ponto de vista. Estes “autores” não dizem nada sem que se intrometa o Eu, indiferentes à regra que diz: quanto mais o sujeito da enunciação atribui a si próprio uma enorme importância, mais os seus enunciados são vazios. Muitas vezes pretendem ter a coragem do desafio intelectual, mas o que são de facto é alarves, sem filtro e sem distância crítica. [...]»

Os deuses me perdoem por não ter deixado de pensar em Pedro Marques Lopes — mais painelista do que cronista, mas enfim — durante o texto todo. Eles são muitos, bem sei; pois se até Fernando Seara é.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Afinal, que merda de Deus és?

Pergunta que Jorge Mario Bergoglio continua por fazer ao seu amigo, consta que altíssimo, com quem mantém relacionamento privilegiado, criador e administrador da engrenagem toda, omnipotente, omnisciente, ubíquo, eterno, infinito e infinitamente justo e bom.
Até poderia retransmitir-nos a resposta por twitter ou mandá-la pela mãe do amigo, que fala português e tudo. A gente agradece.
«Os desígnios de Deus são insondáveis.» não vale; estamos fartos dessa conversa.
«Sou um Deus de merda.», por exemplo, vale. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Se António Guerreiro não é o melhor, quem é o melhor?


Todos os artigos, inteiros, de António Guerreiro, no Público/Ípsilon
de 08.Ago.2014 a 03.Abr.2015
08.Ago.2014
. O banco secularizado | BES/Novo Banco. «Estávamos nós cheios de fé na História, que é a última religião dos doutos, a assistir, pela televisão e em directo, ao processo de secularização do Banco Espírito Santo, quando começámos a perceber que a boa nova a anunciar um banco bom e novo (termos muito simples e claros, como podemos ver, pois a linguagem secularizada renuncia a toda a obscuridade) era ainda demasiado permeável a um ordenamento divino do mundo — na sua versão maniqueísta, que opera uma nítida separação entre bons e maus — e a uma concepção cultual do capitalismo financeiro.»
. Versos de puro nada | Recensão de "", livro de poesia de Daniel Jonas. «podemos dizer que estes sonetos de Daniel Jonas nos libertam e nos deslocam para paragens bem distantes daquelas em que grande parte da poesia portuguesa contemporânea nos instala.»

15.Ago.2014
. Turistas, mas relutantes | O turista de Lisboa. «cada turista é, para o seu semelhante, um espelho onde este vê reflectida a sua imagem de pessoa caricata, infantil, gregária, rendida a uma alegria imbecil, parodiante de uma mobilização geral.»

22.Ago.2014
. O povo da televisão | «aqueles programas, reportagens e concursos frequentados por pessoas que são submetidas à deformação pelos próprios apresentadores, repórteres e 'entertainers' para satisfazer os ditames televisivos do expressionismo grotesco.»

29.Ago.2014
. Treblinka é já ali | Maus tratos a animais de companhia [Lei n.º 69/2014, de 29 de Agosto] e a invocação do humanismo como legitimação da lei.

05.Set.2014
. E agora? Lembra-me. | O filme de Joaquim Pinto: poesia, mística da imanência, quotidiano.

12.Set.2014
. Sua Majestade, o Cinema | "Os Maias", filme de João Botelho.
. Os novos teólogos | O liberal João Carlos Espada e «as exigências medíocres de uma pequena burguesia intelectual.»

19.Set.2014
. Pedofilia e pedofobia | «será possível falar da pedofilia, como uma questão de enorme complexidade, sem nos limitarmos a proferir interjeições de horror? Tentemos.»

26.Set.2014
. A cidade e o campo | Sobre "Ouro e cinza", de Paulo Varela Gomes. «o campo é hoje, em larga medida, uma produção da Mota-Engil para a RTP, SIC e TVI.»

03.Out.2014
. O Pedro Manuel | Pedro Passos Coelho, «o triste produto do tempo do homem-massa e o engendramento catastrófico do fim de todos os encantamentos políticos, ideológicos e sociais.»
. Ler o que nunca foi escrito | Recensão de "Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas", obra póstuma, inacabada, de José Saramago. Manuel Alberto Valente, o editor [o mesmo do último Herberto Helder], apanhado em falso.

10.Out.2014
. O ruído que vem dos livros | Ainda "Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas". Porrada no editor. Veremos que chico-espertices industriais vai a Porto Editora perpetrar com o autor morto depois da patifaria que lhe fez com os últimos livros em vida.
. Retrato do cineasta enquanto escritor | Recensão de "Obra escrita", de João César Monteiro, editada por Vitor Silva Tavares.
«— Beijou os rotundos amareliflões melões melicheirões do seu rabicundo, cada um dos rotundos e melonosos hemisférios, no seu rego amareliflão, com uma obscura prolongada provocante melomelidorante osculação.
— Sinais visíveis de post-satisfação?
— Uma contemplação silenciosa; uma ocultação errática; uma degradação gradual; uma repulsão atenta; uma erecção próxima”.
[…]
Ao sr Vasconcelos [António-Pedro Vasconcelos] foram deixadas todas as indicações julgadas úteis para a boa execução do plano, tarefa de que ele se encarregou escrupulosamente, segundo creio, e pela qual lhe estou muito grato. Bem feia acção seria, pois, eu vir agora queixar-me do trabalho generosamente despendido por um colega em proveito de um filme meu, mas lá que o enquadramento é uma boa merda, isso é.»

17.Out.2014
. Homens e animais | Diferendo e litígio, a propósito do abate em Espanha de um cão chamado Excalibur.

24.Out.2014
. A pilhagem fiscal | «um Estado que perdeu a vergonha de se apresentar como agente supremo de uma pilhagem legal.»

31.Out.2014
. As metamorfoses do poder | Recensão de "Massa e Poder", de Elias Canetti, «um dos mais grandiosos ensaios do século XX. […] todas as distâncias e protecções que os homens criaram por se sentirem ameaçados pelos outros e pelo desconhecido são ditadas pelo medo de serem tocados.»
. A ecologia literária | Os 100 000 euros do Prémio Leya e a nova literatura mundial.

07.Nov.2014
. O destino do partido | A natureza dos partidos políticos.

14.Nov.2014
. O escritor e o seu duplo | A paródia e a manha de António Lobo Antunes nas entrevistas, designadamente na que deu a Isabel Lucas no Público/Ípsilon de 07.Nov.2014.

21.Nov.2014
. Letrados e reaccionários | «O reaccionário letrado (do tipo Paulo Varela Gomes) e o letrado reaccionário (do tipo José Pacheco Pereira) […] podem respeitar-se mutuamente mas não pertencem à mesma confraria.»

28.Nov.2014
. Sade, esse sublime energúmeno | «Duzentos anos após a sua morte, Sade continua a visitar-nos como um fantasma que não se extingue, desafiando o nosso tempo com os seus textos, tão difíceis de olhar de frente, em que se faz a apologia do prazer e do vício contra a lei e a ordem.»
. Virar as costas ao presente | «interessante questão formulada por José Pacheco Pereira: uma vez que durante a nossa vida não temos tempo para ler as grandes obras do passado, valerá então a pena ler livros novos?»

05.Dez.2014
. Uma história de fantasmas | sobre o filme "Cavalo Dinheiro", de Pedro Costa. Rememorar.
. A alta tensão timótica | «Muitas vezes, apetece reclamar que se faça tábua rasa, que venha um esquecimento libertador que permita começar tudo de novo. Por exemplo: que nos seja concedida a felicidade suprema de uma profunda amnésia apagar o nome de José Sócrates da cabeça dos seus amigos e dos seus inimigos e passar a residir apenas nos arquivos.»

12.Dez.2014
. Uma paisagem desencantada | Balanço de 2014. «É no ensaísmo e no vasto campo das ciências humanas e sociais que a actual lógica editorial mais danos provocou, limitando assim o debate e a livre circulação de ideias. […] A apresentação desta lista exige um preâmbulo: ela abrange não apenas o ensaio propriamente dito (que, como sabemos sempre se interrogou a si mesmo enquanto género e forma), mas o campo mais vasto dos livros de ciências humanas e sociais, incluindo a filosofia, a estética, a crítica literária e artística. [...]
Por isso, só poderia resultar num conjunto muito ecléctico, à medida das diferentes proveniências disciplinares das pessoas que para ele contribuíram. Se o saber é sempre polémico, um balanço anual que pretende totalizar um tão vasto campo de saberes é, inevitavelmente, um campo de batalha.
»
[Inclui escolhas – ensaio, poesia, ficção – de António Araújo, António Guerreiro, Diogo Ramada Curto, Gustavo Rubim, Hugo Pinto Santos, Helena Vasconcelos, Isabel Coutinho, Isabel Lucas, José Riço Direitinho, Luís Miguel Queirós, Maria Conceição Caleiro, Nuno Crespo e Rui Lagartinho.]
. Palavras que libertam e atraiçoam | Sexo, género, feminino, masculino. «outro termo que tem sido sujeito a um uso inflacionado, e por isso nefasto, é “homofobia”. A palavra “fobia” tem um sentido preciso, muito forte, e convinha não a banalizar.»

19.Dez.2014
. Os nossos queridos Bouvard e Pécuchet | Ricardo Salgado e José Maria Ricciardi na comissão de inquérito ao BES. «Queríamos escutar as narrações e os argumentos dos dois homens ricos, sumptuosamente ricos, e o que ouvimos foi uns pobres homens: um podia chamar-se Bouvard e o outro Pécuchet. E, tal como os dois homenzinhos de Flaubert, estes também foram vítimas de um espírito enciclopédico e coleccionador, mas de um novo tipo: coleccionaram palavras do jargão financeiro, construíram com elas um sistema que ruiu por todos os lados, mas continuam a debitá-las de maneira incontinente, a mostrar que não conhecem outras.»

26.Dez.2014
. Miguel, porque escreves? | Escritor, escrevente. «Por uma entrevista a Miguel Sousa Tavares, na SIC, feita por Raquel Marinho (e publicada também no site do Expresso com o título: “Porque escreves, Miguel?”), fiquei a saber que o seu último livro começava com uma resposta a esta questão. […] o Miguel, que nestas coisas da literatura é tão ingénuo, nunca perceberá porque é que quanto mais se reivindica como escritor (oportunidades não lhe faltam) mais se enterra como um banal escrevente.»

02.Jan.2015
. O corsário, o profeta, o apocalíptico | Sobre "Pasolini", filme de Abel Ferrara.
. Muito orgulho gay e algum preconceito | «um banqueiro que assume a sua homossexualidade ao mais alto nível é visto como um exemplo. Mas exemplo de quê e para quem? Para quem aspira chegar a banqueiro, para quem deseja mas não ousou assumir a sua homossexualidade, ou para quem acha que não se importaria nada de dizer ao mundo que é homossexual se um dia chegasse a banqueiro, em Londres? Um operário da construção civil que fizesse, na sua aldeia, perante os seus conterrâneos, exactamente o mesmo que fez o banqueiro António Simões, seria sempre um exemplo de muito maior coragem e aquele que importaria de facto mostrar.»

09.Jan.2015
. Sexualidade e política | Ainda a distinção ao banqueiro larilas. «Seja-me permitido retomar e desenvolver o assunto. […] As cerimónias e opções em que a maior parte do activismo gay e lésbico se compraz estão fixadas nas convenções da identidade e do reconhecimento. Daí a glorificação do coming out, como se a liberdade de não declarar publicamente não fosse tão legítima e eventualmente tão portadora de um potencial crítico como a de declarar. […] o discurso e as escolhas de instituições como a ILGA não só nada produzem de relevante no plano político e cultural como se conformaram a um kitsch ideológico cujo brilho resplandece com mais força nos momento de gala.»

16.Jan.2015
. As imposturas da avaliação | «A grande impostura da avaliação enquanto prática e doutrina não está apenas instalada na universidade e na investigação, estendeu-se nos últimos anos a todos os domínios de actividade profissional e a todos os sectores da sociedade. […] A avaliação tem uma natureza e uma função essencialmente estratégicas: nas empresas, está ao serviço da gestão e da disciplina dos “recursos humanos”; na universidade e na investigação, é o “dispositivo” de uma máquina de governo.»

23.Jan.2015
. Se isto é Celan… | Recensão de "Não Sabemos mesmo O Que Importa — Cem Poemas", de Paul Celan. «era com regozijo e expectativa que se esperava a tradução de cem poemas de Celan por Gilda Lopes Encarnação, que tinha feito, entre outras, uma excelente tradução de "A Montanha Mágica" (D. Quixote). Mas o resultado que nos oferece "Não Sabemos Mesmo O Que Importa" (assim se chama a antologia) não é nada satisfatório.»
. Civilização e barbárie | «Tal oposição, hoje tão proclamada, corresponde a uma visão idealista e cumulativa da “história do espírito”, à maneira de Hegel. Mesmo quem, noutras circunstâncias, não quer ouvir falar de dialéctica, surge agora completamente rendido ao processo dialéctico e ao evolucionismo na história das ideias: é isto que significa a afirmação muito comum de que a barbárie — aquela com que fomos recentemente confrontadosé o resultado de duas faltas: a da secularização e a dos valores do Iluminismo (a crítica, a razão, o progresso, a universalidade, o cosmopolitismo). Ora, o que esta maneira de pensar desconhece é precisamente aquilo que o historiador da arte e da cultura Aby Warburg (1866-1929) designou como uma fundamental esquizofrenia: a civilização está continuamente em luta contra o seu pólo demónico (traduza-se assim, e não como “demoníaco”, o dämonisch), num conflito trans-histórico, tipológico.»

30.Jan.2015
. Populismo e demofobia | «Quem, no domingo passado, à noite, seguiu a contagem dos votos, na Grécia, através dos vários canais portugueses de televisão, terá sentido uma enorme impaciência perante as milícias civis de comentadores e “politólogos”, que parecem personagens decalcadas dos aforismos satíricos de Karl Kraus contra os jornalistas do seu tempo: dizem e “comentam” porque não têm nada a dizer, e têm algo a dizer porque a sua tarefa é comentar. No meio de tanta indigência, lá apareceu, brandido por alguns, o fantasma do populismo, seja ele efectivamente encarnado ou tenha a condição de espectro. Estas almas penadas - para continuarmos no mesmo plano semântico - parecem não ter ainda percebido que não têm ao seu dispor nenhuma figura do povo para poderem agitar a bandeira do populismo, que o povo como sujeito político, tal como o conhecemos a partir da modernidade, desapareceu; […] Os actuais denunciadores do populismo, incapazes de entender a política como algo mais do que gestão e método, táctica e estratégia, vêem outra coisa: vêem um papão, sob a forma do povo que já não existe. Lutam contra fantasmas. Eles próprios são mortos-vivos, zombies do comentário e da “politologia” do pequeno ecrã.»

06.Fev.2015
. Eduardo Lourenço, cena primitiva | Recensão de "Obras Completas II – Sentido e Forma da Poesia Neo-Realista e Outros Ensaios". «Este volume é uma peça importantíssima na bibliografia sobre o neo-realismo, mas também importante para acedermos a um momento fundamental do percurso intelectual de Eduardo Lourenço, para chegarmos, digamos assim, à sua “cena primitiva”.»
. O examinador foi ao exame | Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC). «a crueldade provoca, mas a estupidez desmoraliza. […] O que vemos neste tipo de provas é, mais uma vez, a falácia da máquina da avaliação: ela presume uma cientificidade que de modo nenhum consegue demonstrar que possui.»

13.Fev.2015
. A Grécia como paradigma | «A Grécia é hoje um caso limite de experimentação biopolítica, um país inteiro tornou-se uma forma derivada dos campos, um lugar habitado não já por um povo ou por uma sociedade histórica, mas por uma mera população supérflua. Desapossados de toda a soberania e coagidos a erradicar a política como instância de mediação entre a economia e o social, os gregos estão reduzidos a um projecto de experimentação dos princípios económicos de um biopoder que delimita e designa populações – e segmentos de populações – suspeitas, inúteis e supérfluas.»

20.Fev.2015
. A eloquência patética do presidente | Cavaco Silva. «Quando o Presidente da República, interpelado pelos jornalistas, fala para os microfones e para as câmaras de televisão, é difícil tomar atenção às suas palavras – seja para louvá-las, seja para criticá-las – porque a elas se sobrepõe de maneira enfática o medium corpóreo não verbal: os traços móveis do rosto, o movimento da boca, os lábios encrespados, a disposição do corpo. O significado das suas palavras dissolve-se na mímica facial intensificada e nos aspectos prosódicos do seu discurso (a entoação, o ritmo, os picos de intensidade, etc.) Mas não se trata da gestualidade retórica dos políticos, um dos elementos que lhes conferem aquele quid a que Max Weber chamou carisma. Não, não é gestualidade retórica: é eloquência patética. […] patética porque se manifesta como um espasmo de exteriorização de uma causa interior. Dir-se-ia, na sua mímica intensificada, que ele não é patrão dos seus gestos, do seu olhar, da sua expressão. E, por isso, torna-se transparente, não consegue travar o mau-humor nem controlar os arrebatamentos de homem severo, não consegue mascarar as suas paixões nem desmentir o coração. […] ele fala, mas nós já só conseguimos vê-lo.»

27.Fev.2015
. Só, como Franz Kafka | «A edição dos Diários de Kafka, pela Relógio D’Água, traduzidos com enorme competência por Isabel Castro Silva, é um acontecimento editorial que tem de ser salientado. […] O mistério chamado Kafka está coberto pela película espessa de uma vida banal. […] uma existência marcada por um grandioso falhanço em todos os combates a que se viu obrigado: com o pai (cuja autoridade o assustava tanto que nem sequer era capaz de permanecer em pé diante dele), com a literatura (não acabou nenhum dos seus romances), com o mundo das mulheres.»
. O bom aluno | «O bom aluno é aquele que interiorizou plenamente a moral da culpa e sabe que deve comportar-se como um ser em débito. Haverá algum momento em que a culpa vai ser expiada, isto é, em que o débito vai ser saldado? Evidentemente que não. Por isso é que se criou a figura da “dívida eterna” ou infinita. […] Para se tornar um bom aluno, como lhe é exigido para continuar a dar-lhe crédito, a Grécia não precisa de pagar a sua dívida — que é infinita e eterna. Tem é de dar como garantia do fictício e sempre diferido reembolso um conjunto de virtudes sociais e políticas que são a carne e o sangue da moralidade a que está obrigada. Tem de sujeitar-se eternamente ao performativo da promessa. Não é que as promessas paguem dívidas, mas são um reconhecimentos e uma ritualização da culpa.»

06.Mar.2015
. O poeta sem biografia | «Fernando Echevarría, na semana passada distinguido com o prémio Casino da Póvoa, anunciado e entregue na 16ª edição do festival Correntes d’Escritas, é o autor de uma obra poética grandiosa, que sempre permaneceu impermeável às determinações prosaicas da chamada “vida literária”. […] A obra de Fernando Echevarría, construída de maneira silenciosa, parece um objecto arquitectónico de grande envergadura, em que nada escapa a uma geometria rigorosa e ao primado da dimensão intelectual. […] Pertence nitidamente a uma categoria de poetas que tudo fazem para expulsar a dimensão biográfica, de maneira a que na obra sobressaia uma aguda consciência do acto de escrever e não aquilo que é anterior e exterior a ele.»
. A elite consensual | «Parece um título anódino, mas quando analisado pelo lado de uma psicologia racional e de um realismo político, ambos respeitosos dos grandes equilíbrios, verificamos que é de uma grande envergadura. "Nem mais alemães que os alemães, nem mais gregos que os gregos": eis o título da crónica da semana passada de Francisco Assis, eurodeputado do PS que escreve neste jornal todas as quintas-feiras. […] A encenação de debate cria a aparência de que uns e outros pensam de maneira diferente, mas toda a diferença se anula na mesmidade que brota da linguagem comum do “Nem-Nem”. Como se todos eles, festivos como os saltimbancos e nómadas como os cibernautas, se preparassem diante de um espelho deformador, antes de debitar opinião e analisar a temperatura exterior do ambiente: “Diz-me, espelho meu! Estou em forma? Estou conforme?” […] Empossados como fabricantes de opinião para consumo da população genérica, quanto mais “Nem-Nem” são, mais hipóteses têm de ser aclamados como objectivos e responsáveis. […] Esta elite consensual, resultante de um agregado onde se instalou a maquinaria infernal de produção do “homem médio” ou homo mediocris, reivindica-se como uma maioria moral, na medida em que exerce uma hegemonia da opinião. […] a regra mais importante da elite consensual: nunca oferecer qualquer resistência ao presente.»

13.Mar.2015
. O otium e o lazer | «O tempo do lazer é aquele que resta depois do trabalho, vulgarmente chamado “tempo livre”, o que indica que ele se define não em si mesmo, mas em relação ao tempo de trabalho. Diferente do lazer é o ócio (no sentido do otium latino, não no sentido pejorativo que a palavra adquiriu). É do otium que nascem as artes, as letras e as ciências. O lazer é um tempo de recuperação e de preparação para o trabalho; o otium é o tempo da liberdade e não se deixa apropriar pela lógica mercantil dos tempos livres […] O sobressalário não está dependente da lei do mercado, da oferta e da procura. Trata-se de um salário arbitrário, isto é, dependente de uma arbitragem e de um preço políticos, e não do mercado. Um exemplo: o Lloyds Bank paga mais de uma dezena de milhões de libras, só em prémios e suplementos, ao seu CEO Horta Osório, como ficámos há dias a saber, não porque ele seja o único no mundo a conseguir a performance desejada (que, aliás, depende de uma equipa numerosíssima e não de uma só pessoa), mas porque convém ao Lloyds a operação publicitária que consiste em dizer ao mundo que tem a chefiá-lo um homem superpoderoso, e a medida do seu superpoder é evidentemente aferida pelo dinheiro que ganha. Esta burguesia do sobressalário raramente tem a possibilidade de converter o seu dinheiro em tempo. […] só o otium concede tempo e disposição para ler Guerra e Paz. O lazer, na melhor das hipóteses, satisfaz-se com um item do top Fnac ou com os roteiros da “cultura para o fim-de-semana”.»
Como diria Ana Lourenço: «Vamos fazer agora uma pequena pausa para intervaloEu espero por si.»

20.Mar.2015
. A política virtuosa | «Com a solicitude esclarecida do bom pastor que sabe por onde deve conduzir o rebanho, Francisco Assis, na sua crónica da passada semana ["A difícil moderação", Público, 12.Mar.2015], pôs-me à distância da sua “difícil moderação” e empurrou-me para o lado dos extremismos. […] Eu tinha cometido a indelicadeza de o classificar como representante de uma elite consensual que exibe as virtudes da moderação centrista, mas o centro a que me referia podia não coincidir com o centro ideológico. […] este editorialismo ideológico e generalizado intoxica o ambiente, corrompe a linguagem, asfixia o pensamento e arruína o espaço público. É este contexto que permite a Francisco Assis reclamar como um gesto de coragem e de grande ousadia a sua “difícil moderação”. […] Celebremos a prova de resistência e de luta esforçada pela moderação salvífica, na batalha de Assis da penúltima quinta-feira, em nome de uma coisa que nos esmaga, de tal modo representa o todo da política virtuosa: a “civilização democrática e liberal”. Assim lhe chama Francisco Assis, funcionário político, obreiro intelectual e seu guarda avançado. Esta densa e eloquente elaboração do pensamento político, a que Karl Kraus chamaria “fraseologia”, é uma manifestação gritante do idioma mediático-político, irredutivelmente “nem-nem”. Nem isto nem aquilo, ele é pura tagarelice, uma palavra vazia, insignificante.»

27.Mar.2015
. Ah, a poesia! | «A ampliação, de ano para ano, das manifestações públicas para festejar o Dia Mundial da Poesia é um sintoma (atenção: um sintoma, não uma causa) de que se chegou a um ponto crítico da delapidação da poesia, não sob a forma da violência exercida por um inimigo exterior, bem identificado, mas sob a forma do desastre sereno vindo de tantos lados e impossível de localizar com precisão: é como o tempo que faz, o tempo meteorológico. Estas bem-intencionadas manifestações em sua honra são de facto um sintoma de que a poesia caminha para a museificação, mas perdeu efectualidade social e já nada conta na economia do livro. A esta contingência respondem alguns poetas mais foliões fazendo de jograis intermitentes no palácio quando chega a Primavera.»

03.Abr.2015
. A grande fadiga europeia | Recensão de "Submissão", romance de Michel Houellebecq. França, ano de 2022. «O presidente muçulmano chega serenamente ao topo do poder político em França, à margem das lutas entre o “movimento identitário” e os islamitas radicais. […] por todo o lado são bem visíveis os signos da conversão a uma nova ordem. Por exemplo, as mulheres, antes tão emancipadas e até libertinas, começam a cobrir a cabeça com um véu. Fazem-no porque o novo regime as obriga? Não, fazem-no voluntariamente, escolhendo alegremente a submissão em vez da crítica e da resistência. São os mecanismos da submissão generalizada que Houellebecq transforma em fábula política.»
. A desfiguração do rosto | «Ainda o coro ia no adro e já estava a ser exibida na última edição da revista do Expresso uma iconografia do escritor [Herberto Helder] que sempre tinha dito “não” a álbuns de família e outros bibelots, e que um dia escreveu: “Não me vou deixar apanhar por tentações biográficas.” […] o tempo e a força da sua obra irão novamente fazer desaparecer o rosto, mas por agora o efeito é o de uma desfiguração. […] Porque Herberto sempre esteve do lado da neutralidade da imagem do escritor perante a sua obra, reduzindo-o ao anonimato, o álbum de fotografias de Alfredo Cunha tem o efeito terrível de o fazer aparecer na condição de apóstata. Um fotógrafo à altura da difícil missão poderia ter feito o seu trabalho sem que se quebrasse o pacto que o poeta tinha estabelecido com a esfera pública. Mas as fotos não passam da mais banal reportagem, iconografia lisa e estereotipada de escritor com estantes de livros atrás. Nelas, não se adivinha nenhuma espessura, nada que indicie a presença de Herberto Helder, por mais que nos digam que é dele a figura que elas representam. […] é sempre obsceno, e ninguém deveria ser autorizado a tal, abrir as portas da intimidade num jornal. Tratando-se de Herberto Helder, que levou a vida inteira a fechar todas as portas, não é apenas obsceno, é uma violência.»

domingo, 5 de abril de 2015

Camarate X

«A X Comissão Parlamentar de Inquérito à tragédia de Camarate reúne-se na terça-feira, estando em condições de apresentar conclusões até ao final do mês. […] A comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as 'causas e circunstâncias em que, no dia 4 de Dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, o ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes', devido a um acidente de avião.»

Conclusões? Nada que saber: Jorge Albuquerque matou-se aos comandos de um Cessna podre, arrastando para o brasido os outros seis. O resto é questão de fé, se não for de psiquiatria; mas mais provavelmente de ambas.
Ainda assim e para explicação especializada, nada como a clarividência da arquitecta Helena Roseta em sinistros aeronáuticos, ou a indispensável perspectiva das coisas da doutora Clara Ferreira Alves, não menos clarividente, et pour cause, que sabe tudo de aviões desde certo dia em que viajou de Nova Iorque para Lisboa ao lado de indeterminado «cavalheiro americano com quem falei num voo da TAP» [aqui e aqui], nunca perdendo de vista que a Lufthansa é que é uma «companhia séria»..., Clara dixit.

Por favor, oiçam José Manuel Barata-Feyo, leiam "O grande embuste".
Estas merdas enervam-me.

Agir

«também gosto de passar despercebido».
DN, 05.Abr.2015

Nota-se.

sábado, 4 de abril de 2015

Caverna, sombras. Grande crónica de Pedro Bidarra

«[...]
O colunismo é o exercício de tentar descrever a realidade sem sair da caverna onde se vive agachado. Adjectiva-se a sombra que daquele ângulo se vê como sendo a verdadeira sombra e o ângulo como o melhor ângulo. O colunista é um artista a soldo de um ângulo, e o seu talento tanto maior quanto mais convincente e tridimensional for a sombra que descreve sem sair do conforto da caverna. O colunismo é a tirania do ângulo que infantiliza o jornalismo: "O meu ângulo é melhor do que o teu!".
[...]
Uma crónica é uma coisa diferente de uma coluna porque não é uma prosa proselitista, é uma tentativa honesta de descrever e partilhar as sombras que se vêem. O cronista é diferente do colunista no sentido em que é um adulto. Tem mais informação. Mais vida. Mais mundo. Já explorou muita caverna e chegou à conclusão de que a caverna é o que menos interessa; de que concordar não é o essencial. O essencial é ver.
[...]»

«Em passo lento e demorado»

Três minutos, então, na vida da jornalista Ana Barros, da RTP, das 15:55 às 15:58 de ontem, Sexta-feira Santa, numa rua do Porto, em off:

«Ainda não conseguimos ver ENTÃO os primeiros carros. Este é um percurso que tal como o cortejo assim o exige, vem ENTÃO em passo mais lento, precisamente para familiares, admiradores e também grandes nomes da arte, do cinema, também da política nacional, irão ENTÃO acompanhar este cortejo. Pedro Passos Coelho e o Presidente da República, Cavaco Silva, não vão dirigir-se ENTÃO aqui ao cemitério de Agramonte — é essa a informação que temos. Eles estiveram ENTÃO presentes na igreja numa pequena cerimónia que foi celebrada pelo bispo do Porto e dessa forma saíram, o Presidente da República, Cavaco Silva, sem prestar declarações aos jornalistas, Passos Coelho a falar com a comunicação social, mas ainda assim nenhum dos dois virá ENTÃO a este cemitério de Agramonte. Será portanto uma cerimónia mais reservada, dedicada apenas aos familiares e também aos amigos e admiradores mais próximos, mas também uma cerimónia que conta com a população do Porto, com várias pessoas. Eu julgo que na imagem já conseguimos ver, pelo que me parece, algumas motas que já surgem na imagem e também alguns carros que serão ENTÃO a primeira parte deste cortejo fúnebre de Manoel de Oliveira, ele que vai ENTÃO repousar no cemitério de Agramonte, aqui junto à rotunda da Boavista, uma zona prestigiada da cidade, e de outra forma não poderia ser, para receber ENTÃO este génio da sétima arte, Manoel de Oliveira, que chegou a estes 106 anos de idade com mais de 80 anos de carreira. Parece difícil de acreditar mas era também para este génio, e será certamente esse o nome que irá ficar associado a Manoel de Oliveira, este génio que trabalhou até ao fim, tal como queria. Gravou e filmou até ao fim, e foram os olhos de Manoel de Oliveira que retrataram ENTÃO no cinema várias temáticas, muitas delas associadas ENTÃO a esta cidade que o viu nascer, até porque no início da carreira Manoel de Oliveira pega ENTÃO no rio Douro para começar a apresentar o seu trabalho em cinema. E ENTÃO, tal como já tínhamos avançado, surgem ENTÃO estas primeiras motas da polícia, os carros fúnebres que já se vêem na imagem, ENTÃO os dois carregados de coroas flores. Penso que já é possível acompanharmos ENTÃO, na imagem, este cortejo que acontece ENTÃO em passo mais lento e demorado numa tentativa ENTÃO de homenagear cada segundo que é possível desta longa vida do cineasta mas também do homem que foi Manoel de Oliveira e que será sempre recordado para amigos, para familiares. Há pouco, na igreja de Cristo-Rei, o neto realçava precisamente esta dimensão humana do avô e ENTÃO — vou só fazer um compasso de espera — é precisamente neste momento que vai ENTÃO seguir este primeiro carro onde vai ENTÃO o corpo de Manoel de Oliveira com alguns netos, no primeiro carro, pelo que consigo ver. Um dos outros netos, Ricardo, vai ENTÃO no segundo carro a acompanhar ENTÃO o avô neste cortejo fúnebre. O neto Ricardo vai ENTÃO neste último carro, onde vai o corpo de Manoel de Oliveira.»

Quando estão, ENTÃO, em serviço na rua, falam, ENTÃO, todos assim. Todos, ENTÃO, menos a muito boa Rita Marrafa de Carvalho, pois então.
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Manoel de Oliveira pega então no rio Douro - gostei.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Evidentemente

Pedro Passos Coelho, à comunicação social, pelas 15:46 de sexta, 03.Abr.2015:

 ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h
_________________________
* Os tiques dizem quase sempre mais de nós do que nós.

Observatório de imprensa

- O ministro e a lavra
Não, não é sobre Paulo Portas.
Como foi possível duas gralhas de tal porte terem poisado no artigo de hoje, "Os imortais, os imorais", do magnífico Pedro Santos Guerreiro?
Sei: a revisão nos jornais, a que ainda há, está uma desgraça. No Expresso, então, tende para a calamidade.

- Ó Catarina Carvalho, decida-se, chiça!
Portugal acordou hoje [é assim que se diz, não é?] com uma nova publicação, em rigor, uma antiga publicação ressuscitada: Evasões, distribuída com o DN e o JN, sem aumento de preço [é assim que se diz, não é?].
Mas, foda-secaralhomerdaconadamãetomatesdopadrinácio!, sai às sextas ou, afinal, é dominical?

- Cabalística
O Diário de Notícias de hoje saiu com data de seis dígitos diferentes, de 0 a 5. Sendo certo que sucedera o mesmo há um mês — 4.3.2015 —, deixo um desafio aos abelhudos da numerologia, pinículo Nuno Crato incluído: em que data voltará a acontecer?
Com a tiragem média diária a cair de 28 963 exemplares, em Fevereiro passado, para 27 812, em Março último, prevejo que nem vivendo o triplo de Manoel de Oliveira viverei o bastante para voltar a ver semelhante conjugação numérica em edições do DN que leio sem uma falha desde Setembro de 1970, tinha o Diário de Notícias 105 anos, Manoel de Oliveira 61 e o menino Plúvio 17.

PS
Alguém sabe do padre Inácio de tão famosos tomates? Debalde googlei...