terça-feira, 27 de outubro de 2015

Sejamos claros

Citando Clara Ferreira Alves apenas na parte em que não tenho qualquer dúvida, não tenho qualquer dúvida de que
dois! [idem]- Ferro Rodrigues deve a Cavaco Silva a eleição à primeira volta para a presidência da Assembleia da República.

domingo, 25 de outubro de 2015

Beirões e autoridade moral

«É por isso que estamos aqui hoje a honrar o ADN de todos os beirões.»

José Sócrates pegou na palavra e, mal pôde, pôs-se a honrar um, comparando-se-lhe com o mais repulsivo e descarado oportunismo que a desvergonha alcança [A partir do minuto 30:20]
«E quero neste ponto relembrar, ou melhor, evocar aquilo que tem sido muito discutido recentemente. Têm certamente reparado numa campanha pública em Portugal que me é muito simpática, à qual adiro imediatamente. Trata-se da campanha para defender um cidadão luso-angolano que está preso há quatro meses em Angola com acusação e à espera de julgamento [palmas da sala]. Como digo, essa causa é-me muito simpática porque há um princípio também nos estados de direito democrático: é que os cidadãos devem esperar em liberdade o seu julgamento. E a prisão preventiva deve ser a todos os títulos excepcional porque põe em causa desde logo a presunção da inocência. Mas passando por cima disso, o que tenho anotado – não sei se têm reparado – é que as autoridades angolanas parece que respondem a esta campanha da mesma forma que as autoridades portuguesas, parece que dizem "à justiça o que é da justiça, à política o que é da política" [risos e palmas da sala]. Eu quero dizer um pouco mais porque quero afirmar também que não é apenas esperar em liberdade pelo seu julgamento. O que está em causa nesse cidadão luso-angolano não é apenas esperar em liberdade o seu julgamento. O que está em causa é uma outra coisa. O que está em causa é que a conduta pela qual ele é acusado nunca devia ser criminalmente punida [palmas da sala].
[…]
Pude observar que algumas pessoas falaram destes assuntos com desassombro e com coragem, nomeadamente o eurodeputado Marinho e Pinto, nomeadamente o antigo deputado Francisco Louçã que se referiu à prisão como forma de investigar. E alguns, na política. Esses, sim, têm autoridade moral para fazer esta campanha a favor do nosso compatriota luso-angolano que está preso em Angola. Esses, sim, tinham autoridade para falar do nosso compatriota que estava preso preventivamente há cinco meses, sem acusação, em Timor-Leste. Lamento, mas os outros falta-lhes uma certa autoridade moral porque não se pode julgar a mesma situação com critérios diferentes [palmas da sala].»

Mais disse o ex-primeiro ministro [votei nele em 2005 e em 2009 por achá-lo o indivíduo com mais pinta para governar Portugal], indiciado judicialmente de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, eram 18:11, na palestra em que pronunciou 1946 vezes «quero» e, como é seu hábito, citou 322 filósofos sem identificar nenhum:
«Eu quero instituições que ajam em nome do Estado e que nós possamos respeitar e esse respeito vem da obrigação e do respeito pela lei, da decência nos procedimentos e do escrupuloso cumprimento dos formalismos, porque a democracia é também o reino dos formalismos, o reino dos procedimentos decentes, o reino do respeito pela lei.»**
Escrúpulo escrupuloso e decente decência, nos procedimentos procedimentais e nos formalismos formais. Pois. 

Comentário do dia:
- Esta manhã, no Expresso em linha.
Aparentemente, uma fava já foi paga. E bem.
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* O tema anunciado era "Justiça e Política". Verifiquei: o tema foi outro. 
** Esta passagem não consta da gravação, de 53 minutos, disponibilizada no YouTube pelo Movimento Cívico "José Sócrates, sempre". José Sócrates falou durante 63 minutos, entre as 17:22 e as 18:25 de 24.Out.2015.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Nojo* na Assembleia

Esta tarde, na investidura do Presidente da Assembleia da República — sujeito manifestamente desagradável —, todos os partidos falaram menos o Pessoas-Animais-Natureza. 
«A última a usar da palavra foi Heloísa Apolónia. André Silva [PAN] não falou por sua opção.» 
Opção, assim sem mais?... Pelo fim da tarde, o rodapé da SIC Notícias ajudava-me a entender o silêncio do novel deputado. Numa pesquisa simples, confirmei: Hoje, em Vila Nova da Barquinha, morreu o Hongo. Luto no PAN

A propósito de sentimentos, não deixo de apreciar o apreciável, impressivo, expressivo e recíproco apreço entre António Costa e Ferro Rodrigues. A amizade e a gratidão são coisas lindas.
Pelas minhas contas, a dívida do Costa ao Rodrigues há-de estar finalmente saldada. Depois de o ter promovido, em Outubro de 2014, a líder do seu grupo parlamentar, seria imaginável maior agradecimento do que, um ano depois, derrotado nas legislativas mas ainda assim, entregar a Assembleia da República nos "braços-de-Ferro"?   
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* Nojo

Por favor, doutor António Costa,

não ofenda mais o dicionário. O senhor classificou em público, por 60 vezes nos últimos cinco dias, como «inequívocos» vários factos que a semântica inequívoca dos factos não consente. Poupe-nos a essa inequivocidade disentérica!
E, favor maior, meta com urgência no seu horário — agora que está em vias de presidir à governação — umas horitas de terapia da fala e da dicção.
Aprenda pelo menos a dizer constitucional e institucional. Pare de envergonhar a gramática dos seus cargos públicos e a língua portuguesa!
Muito obrigado.
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António Costa, aos jornalistas, no Palácio de São Bento pelas 16:50 de sexta-feira, 23.Out.2015:
«Eu acho que esta primeira votação na Assembleia da República expressou de forma inequívoca que a vontade maioritária que os portugueses expressaram nas urnas...
[...]
Os portugueses nas urnas foram inequívocos ao dizerem que querem uma nova orientação política. 
[...]
A vontade que os portugueses depositaram na maioria dos seus representantes teve a possibilidade de se exprimir de uma forma inequívoca na eleição de um novo presidente da Assembleia da República*.
[...]
Nenhum partido político com representação nesta Assembleia da República tem os seus direitos conchtucionais diminuídos.
[...]
Vam-lá-ver: há pessoas que têm mau perder.
[...]
essa maioria tem de ser respeitada e deve poder ter a expressão inchtucional que a legitimidade democrática lhe confere.»

* Ferro Rodrigues, 120 - 52%; Fernando Negrão, 108; em branco, 2.
Tenho de dizer: a minha simpatia por Fernando Negrão é zero. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Vendo talvez melhor,

toda a vida é sobrevivência.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Escrúpulo, ganância

«Aviso: este texto é chato, mas às vezes acontece. 
O que têm em comum os escândalos do BES, PT, BPN, BPP? A total ausência de ética. Ou então uma ética marcada por valores morais que não aqueles que aceitamos como normais.
O BES caiu por razões diferentes do BPN, do BPP ou mesmo da PT. Mas se espremermos bem as trafulhices, os roubos, as falcatruas e as mentiras ficamos, no fundo do ralo, com o refugo do pior comportamento humano.
A economia mundial está cheia de exemplos parecidos onde a falta de escrúpulos deitou por terra instituições inteiras. Infligindo em milhares de pessoas perdas e danos consideráveis. E não estou só a falar de questões monetárias. Pelo caminho ficaram destruídas vidas e sonhos só porque alguém se achava superior e intocável.
[…]
ficamos a saber que mascarar, mentir, esconder, roubar são comportamentos normais nos mais variados espectros do mundo dos negócios.
Mas não exclusivamente.
[…]
Ser hoje a favor de uma coisa e amanhã do seu contrário faz, por exemplo, parte do jogo político. E aceitamos isso com um encolher de ombros. Aceitamos que Passos Coelho diga o pior do programa do PS para depois acabar por o elogiar e defender algumas propostas. Aceitamos que António Costa negoceie com uma esquerda que ele desdenha e com a qual nunca se irá entender. Aceitamos que Jerónimo de Sousa finja que tolera a NATO e que Catarina Martins venha defender o euro, algo que nunca fez. Deitamos fora a ética a favor de um bem maior. Só que neste caso o bem maior é apenas o deles. O do poder. O da mera sobrevivência do ego.»

Isso, João, é isso.
Só falta a concordância pública do inefável reverendo Tolentino, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa. E talvez o mundo melhore. Um tudo-nada.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Que conversa é essa, doutor António Costa?

António Costa, minuto 11:25- Em cada encontro que tivemos [PS/coligação PSD/CDS] fomos sempre surpreendidos, foram sempre deixando caindo uma nova surpresa desagradável que se vai tornar pública um dia. […]
Pedro Pinto- Pode-nos dar um exemplo de uma surpresa com que foi confrontado?
AC- Não, acho que não devo.
PP- Mas os portugueses gostariam certamente de saber, até para ficarem com um juízo mais concreto dessas negociações.
AC- Infelizmente os portugueses hão-de saber, porque há um limite para a capacidade de o governo omitir e esconder dados sobre a situação efectiva e real em que nos encontramos. Não digo isto com satisfação, digo isto com muita preocupação.

Ai devia dar, devia, doutor António Costa. Senão, não levantasse a lebre.

Embora já me fosse minguando a galope, desde a inacreditável biliosa ameaça ao jornalista João Vieira Pereira, do Expresso, em 25.Abr.2015, — «Como não vale a pena processá-lo, envio-lhe este SMS…» — a simpatia que antes nutria pelo doutor António Costa, perdi-lhe o resto de respeito e consideração quando, no Verão deste ano, se andou a mostrar por todo o país, no cartaz inchtucional da sua campanha — o da CONFIANÇA — manifestamente mais branco do que é. Com que necessidade e propósito, céus, se clareou a cara do candidato a governar Portugal!? Nunca isso nos será explicado, mas anda-me por aqui uma intuição. 

Não bastando, temos de suportar em cada intervenção do doutor António Costa um lastimoso espectáculo de barbárie linguística, impelido pelo sempiterno vam-lá-ver, tique que lhe empesta o discurso já de si devastado por uma fagocitose silábica contumaz. 
A conversa de 41 minutos com Pedro Pinto, entre as 20:42 as 21:33 de sexta-feira passada, na TVI — 1.ª parte / 2.ª parte — constitui nova demonstração magistral, a preservar pelos masoquistas da sintaxe deficiente e da ortoépia despedaçada*, do esplendor retórico deste hoje putativo próximo primeiro-ministro de Portugal. 

Insisto: quando o vam-lá-ver doutor Costa fala em público é de toda a profiláctica prudência [que enxundioso me estás a sair, Plúvio] que se afastem os humanos em idade escolar; ou então desligue-se-lhe o som. O risco de infectocontágio não é despiciendo. 
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* Eu sou muito inchtucionalista - minuto 24:45
Falou e disse.
Viva a flor do Lácio!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Maria de Belém

Por estes dias li e ouvi encómios ao discurso; parece que fora coisa densa e poética. «O discurso dela é um discurso muito forte.», exarou o doutor Alberto Martins
Fui ver. Transcrevo:
«[...]
Sinto que o meu primeiro dever é o de enunciar de forma sucinta e clara as razões políticas da minha candidatura à Presidência da pública, dando assim resposta à pergunta legítima que todas e todos* têm o direito de fazer. Porque é que decidi candidatar-me à Presidência da pública?
[...] 
Candidato-me à Presidência da pública porque estou convicta que posso ** dar um contributo pessoal e político para a melhoria das condições de vida dos meus concidadãos… 
[...]
Candidato-me à Presidência da pública porque pretendo dar um sentido de unidade e de pertença, assente na dignidade da pátria e no orgulho de ser português, a todas as portuguesas e portugueses* espalhados pelo mundo.
[...]
Caras amigas, caros amigos, caros concidadãos*, numa pública democrática não há coroação nem nomeação para a presidência.
[…]
Olho para o meu país e vejo o talento das portuguesas e dos portugueses*, uma nação valente que não se vêrga às adversidades.***
[…]
Caras amigas, caros amigos, caros concidadãos*,O meu compromisso éo de realizar uma presidência das pessoas, uma presidência para as pessoas, uma presidência pelas pessoas, uma presidência com as pessoas.
[…]
É minha convicção que Portugal deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para manter, completar e aprofundar o proto de integração europeia. Este proto de realizar uma união política europeia é absolutamente vital... 
[...]
Portugal que todas e todos* queremos e que só com as palavras de um poeta podemos atrever-nos a descrever: 'O teu destino é nunca haver chegada / o teu destino é outra Índia e outro mar / e a nova nau lusíada apontada / a um país que só há no verbo achar.

Maria de Belém citou explicitamente Amayrta Sen e — podia lá faltar!?,  ainda por cima com dois padres a bordo... — o Papa Francisco. Não se entende porque não identificou Montesquieu [«nas palavras de um grande pensador da liberdade e da democracia, 'desse amor à igualdade que é o amor à pátria'».], mas entendo que nomear o bardo de Águeda, ali presente e abençoador, pudesse soar a demasiado putedo ou a concubinato poético ["Portugal"].

- Candidato-me à Presidência da pública... 
Caras amigas, caros amigos, caros concidadãos...*
- Olho para o meu país e vejo... 
Nos 20 minutos e 35 segundos que a arenga redonda durou, deram-se 16 efusões de aplauso. Na sala Sophia de Mello Breyner do CCB, em 13 de Outubro de 2015 repleta como nunca de gente moça, ninguém contudo superou o estrídulo empolgamento do jovem sentado na ponta direita desta fotografia

Admito que foi discurso para valer mais do que um peido furado; mas não mais do que uma unha roída.

Uma coquetezinha, betinha, videirinha, catolicazinha, tagarelazinha na Presidência?
*** Força na verga e viva a Nação!
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Discurso integral [vídeo amador].
Outros vídeos com partes da apresentação da candidatura:
Este - este - este - este

** Já agora, «estou convicta de que posso»; diz ela de que.
demarco, Masculino de Portugal:
- república
- não se verga
- projecto

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

A "espada de Dâmocles"

e a erudição de Sérgio Figueiredo.
«Evidentemente que era uma espada de Dmócles [assim, tal qual] que o director de informação tinha, o dia em que isto* eventualmente pudesse acontecer.» - minuto 08:50

Momento de ignorância esdrúxula? Talvez.

Nada como um director de informação culto. A TVI instrói e o povo agradece.

Espada de Dâmocles  
- Assim diz o demarco, Masculino de Portugal; e se o demarco diz, quem ousa demarcar-se? 

PS
Já o católico Marcelo, próximo Presidente da República — ó quase católico Nóvoa, desiste, pá! —, espero que esteja arrependido de, em Celorico de Basto, pelas 18 e picos de sexta passada, ter confessado publicamente «às portuguesas e aos portugueses» — se o ridículo matasse… — que, minuto 09:45, «sentiria até ao fim dos meus dias o remôrso [assim, tal qual] por ter falhado por omissão.», ter proferido deficientemente o «remorso».
Se não servir o ensinamento do doutor Mendes ou a explicação do doutor Rocha, toca a aprender com o senhor demarco, Masculino de Portugal, que não se cala.
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* isto, a candidatura à presidência da República do professor Marcelo e a consequente suspensão do seu espaço dominical televisivo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Rui Tavares, os foguetes e as canas

«[…]
O Livre/Tempo de Avançar (L/TDA) mantém a esperança de construir uma bancada parlamentar. […] Rui Tavares não tem dúvidas: "O Livre será a grande surpresa da noite de domingo."
[…]»

Sem subvenção da porca, quero adivinhar o jeito que lhes daria agora o apoio dum marceneiro; dum operário, vá. Na construção da bancada.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

António Costa, cercado de medíocres

«[...]
A Costa saiu-lhe a fava. O político da mais meritória obra feita, Lisboa, cercou-se de medíocres antigos e novos, e a campanha foi muito má. E em Janeiro espera-o outra derrota. Ele vai ser obrigado, nos próximos meses, a fazer política, política e política. Ou redime-se (e pode) ou sai pela esquerda baixa.»

Sair pela esquerda baixa - é o que se figuraria mais asseado o doutor António Costa fazer.

Sim, cercado de medíocres, se ele mesmo o não é em parte. Pequeno significativo exemplo:
Na noite das eleições de 4 de Outubro, entre as 22:40 e as 23:00, quando o escrutínio oficial, a 98 % da contagem, galopava para a maior abstenção de sempre, como foi possível terem deixado o chefe asseverar «Permitam-me que comece por dirigir uma calorosa saudação a todas e a todos os portugueses* pela forma como participaram neste acto eleitoral que registou uma redução da abstenção, o que é um bom sinal para a vitalidade da nossa democracia.» e, mais adiante, respondendo ao jornalista António Esteves, da RTP, «Há uma coisa seguramente que resultou: houve felizmente menos abstencionistas.»? Como é possível tanta imprudência e desleixo?

De há um ano a esta parte, em que andou a fazer-se afanosamente a primeiro-ministro, António Costa provou à saciedade que não presta para a função.
Atrabiliário, descontrola-se muito, transpira, emaranha-se a todo o tempo na prosódia e na gramática. Não conheço, no seu plano, dirigente político que fale tão desastradamente. Um último brevíssimo exemplo, na abertura do lastimoso discurso de derrota no domingo passado:
Quero naturalmente felicitar os doutores Pedro Paulsos Coelho e Paulo Portas pelo resultado que alcançaram nestas eleições legislativas.
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* «todas e todos os portugueses». Se o ridículo matasse...

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

PS - Delirium tremens?

António Costa, domingo, 28.Set.2014    entre o minuto 02:45 e o minuto 02:50
José Sócrates, domingo, 04.Out.2015    ao minuto 00:50 

sábado, 3 de outubro de 2015

José Vilhena,

um mal-amado português cheio de graça, foi-se hoje embora [07.Jul.1927-03.Out.2015] e deixou-me triste.
O velho e caprichoso barbudo, de mau feitio e vingativo, contemplou-o, sem surpresa, com uma doença prolongada*.
E eu que me precate — ainda estou a tempo de ir a Fátima a pé… — senão também me fodo.
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* Alzheimer

Reflectindo …

... até que a fome torne as coisas mais nítidas.

Como poderia votar num partido cujo cabeça de lista pelo Porto, um velho paneleiro, cientista emérito, mandou logo dizer — DN, 09.Ago.2015 — que em primeiro lugar está o marido e, mal a vida no parlamento interfira na vida do casamento, a inovação e o conhecimento do Costa que se fodam? — Eu e o Richard decidimos: se a política começar a afectar a nossa relação, paro logo.
Como poderia votar num partido cujo jovem cabeça de lista por Viana do Castelo abandona pela política caseirinha a única ocupação em que continuaria a ter algum préstimo para a humanidade?
Como poderia votar num partido apontado a um futuro diferente que apresenta o medonho Ferro Rodrigues em segundo lugar por Lisboa seguido da alucinada Helena Roseta, numa lista, de resto, exemplar do mais bafiento déjà vu?

É certo que até o pai de um veterano ministro do PSD vem apoiar o disléxico Costa [coCosta? Deus me perdoe.] que, claro, não deixa de se ufanar disso mas que, mais claro ainda, não poderá louvar-se no manifesto apreço do filho de Jaime Gama, seu totémico e respeitadíssimo camarada de partido, pela presente governação pinícula, e que veio ontem — "Aqueles gajos", João Taborda da Gama | DN, 02.Out.2015 — justificar assim o voto na coligação "Portugal à Frente":
«À minha volta é só gente de esquerda, não tanta como a minha mãe gostaria, é certo, mas claramente a maioria da família, colegas e amigos. E vivo muito bem com isso, boas companhias, mesmo nas campanhas.
[…]
Como é que consigo apoiar aqueles gajos? Assim de repente:
.  foram os gajos que fizeram a lei dos compromissos
.  reduziram os tempos de pagamento do Estado e dos municípios às empresas
.  criaram um mecanismo para evitar a falência de municípios
.  criaram as condições para que os municípios reduzissem a sua dívida
.  não se meteram no BES, não que eu concorde com todas as decisões, mas não se meteram e isso é uma escolha que os distingue de outros gajos
.  reformaram o arrendamento, depois de tantas falsas partidas
.  puseram ordem nas fundações privadas (para o que havia de dar a esses perigosos liberais...)
.  fomentaram o turismo, com campanhas inteligentes, que regularam o alojamento local
.  estimularam um bom empreendedorismo (que devia ser ainda menos dependente do Estado)
.  baixaram o preço do gás natural
.  modernizaram o regime eléctrico português com as regras do autoconsumo e da pequena produção, passos pouco visíveis mas que abrem o caminho à revolução que aí vem da produção distribuída.
Claro que aqueles gajos não fizeram tudo bem, das confusões na justiça ao empurrar com a barriga do problema da dívida do sector empresarial do Estado. Mas já alguns gajos fizeram tudo bem?
Ah, e já me esquecia,
.  foram aqueles gajos que cumpriram o programa da troika
.  não precisaram de segundo resgate nem de programa cautelar.
.  E foram aqueles gajos que, depois de tudo isto, puseram o país a crescer e a confiança das pessoas e das empresas a subir.
Como se diz no futebol, metade do trabalho está feito. Na segunda parte vai ser preciso fazer o dinheiro chegar ao bolso das famílias. A segunda parte vai ser menos dura, mas muito difícil. Que gajos queremos ver em campo, aqueles ou outros?»

Visto o que e depois de acurada reflexão até que o jantar se me soprepôs [21:00 de sábado, 03.Out.2015], votarei amanhã nulo. Nítido.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

BES, BE e Mariana

- O BES ficou e continua a dever muito a muita gente…
- Verdade, mas não te esqueças de quem ficou igualmente a dever muito ao BES.
- Quem, Plúvio, a dever o quê?
- Por exemplo, o Bloco de Esquerda. A sobrevivência. Não fosse o Espírito Santo e o BE iria agora pelo cano.
- Como!?
- Não acompanhaste o inquérito ao BES, na Assembleia da República…, uma miúda a enfrentar e a deixar o Bava à rasca?
- Vi umas cenas, sim. Referes-te ao emplastro da Catarina?
- Essa mesmo! Brilhante, valente, não te pareceu?
- De facto… Não era também ela que gritava há tempos que ia mudar o mundo?
- Nem mais, a Mortágua. «Porque eu sou fufa e o mundo eu vou mudar.»
- Quer dizer que a Humanidade ainda não está inteiramente perdida?
- Confiemos.

Legislativas 2015 – Dilema ingente

Entre GENTE DE VERDADE, Gente séria! e GENTE QUE NÃO SE VENDE, venha o Diabo e escolha.

José Sócrates, «ferozmente ignorante»

«[...]
E digo: foi dos maiores crimes urbanísticos a sistemática destruição das obras de Conceição Silva - que teve a sua apoteose na implosão de Tróia a mando do BES e executada com televisões em directo e alarve alegria — minuto 2:00 — por um primeiro-ministro ferozmente ignorante.
[...]»

Eu não diria tanto.