domingo, 22 de novembro de 2015

O engenheiro e os filósofos [2]

Às 13h31 foi abraçado por Vital Moreira, constitucionalista ilustre de quatro lustrosos botões no punho; o que ajudou o engenheiro no livro.
Às 13h40 gritou-se «Fascismo, nunca mais!, fascismo, nunca mais!, fascismo, nunca mais!, fascismo, nunca mais!, fascismo, nunca mais!, fascismo, nunca mais!». Isso, por seis vezes sem que o engenheiro, ex-primeiro-ministro de Portugal de 2005 a 2011, mexesse uma pestana para moderar a demência da sala. [minuto 05:48] 
13h34- «Todos os meus amigos que fizeram parte desse movimento cívico que nos últimos meses nunca deixou de me apoiar ... perceberam muito bem aquilo que há mais de dois séculos um grande pensador disse a propósito da justiça e do Estado de direito, do Estado de direito democrático: O abuso por parte do Estado sobre um cidadão é uma ameaça aos demais[minuto 01:00]
13h36- «Venho aqui também para celebrar a amizade. Várias vezes* referi esta observação que uma grande filósofa faz a propósito da amizade. Dizia ela que a amizade é o sentimento mais político de todos. E tinha razão.» [minuto 02:18]
* Confirma-se: na passada segunda-feira, almoço com Pinto da Costa, [minuto 2:40].
Confirma-se.

Será Fernanda a grande filósofa? Nunca se sabe.

Às 13h39, o engenheiro chorou- «Queria que todos soubessem o quanto devo ao Mário Soares, desde a primeira hora.» [minuto 04:33] Faltou dizer quanto deve ao Carlos Santos Silva. Mas não haveria lágrimas que bastassem. Além de que isso, extravagando da noção de «decência cívica» por que, por exemplo, propugna o mui estimável escriba Valupi, só poderia configurar bisbilhotice abjecta.
Nas oito letras de Sócrates todas as seis letras de Soares.

13h50- «Eu vou responder a todas as perguntas, vou dar entrevistas** e vou defender-me, como sempre.
[...]
Se há muitas provas no processo, elas são todas provas de que nunca me pode ser atacada [sic; queria decerto dizer assacada] nenhuma actuação de que me possa envergonhar.***» [minuto 15:52]
**  Pois que dê, esperamos. Até agora não deu nenhuma, de resposta e contra-pergunta. Talvez porque ainda não arranjou entrevistadores adequadamente capados para lhas fazer de feição.
*** Este não é homem de grandes vergonhas; salvo, talvez, a de nomear o dinheiro.

Dificilmente sabemos da sua boca que filósofos cita. Uma coisa no entanto está garantida: serão sempre todos grandes. O engenheiro não é de pequenezas.
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- E tu, Plúvio, que sabes?
Tudo, mas mesmo tudo, sem luvas nem preconceito, o que e onde posso saber, incluindo os fóruns da infâmia, os antros da canalhice e os esgotos a céu aberto.
Leio no Correio da Manhã, na Sábado, no SOL, no i, no Observador; mas também no Expresso, na Visão, no Público; e até, vejam lá, no Diário de Notícias e no Jornal de Notícias do muito amigo Camões aprendo coisas do engenheiro.
Vejo nas televisões: CMtv; mas também na RTP e na SIC; e até, vejam lá, na TVI do fã Figueiredo.
Frequento a Porta da loja e Do Portugal profundo.
E frequento com não menos afinco e proveito as principais capelas da socratolatria:
Câmara corporativa
Aspirina B
Vai e vem

Do processo, atribulado e turbulento, pouco conheço e cada vez menos espero: vem aí a justiça&política do indefectível amigo, apesar das aparências do tempo, António Costa. Sabemos como sangra mudo o coração de António Costa; a realpolitik manda. 
Da humanidade, vou sabendo um pouco mais. Que desgosto, senhores!