sexta-feira, 30 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Onde está o problema?

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O século XVIII foi a grande oportunidade, para Espanha e Portugal, de se modernizarem, mas optaram por permanecer nas trevas. Nós combatemos os franceses, que traziam a luz e as ideias. Combatemos do lado errado. Tenho um grande rancor histórico contra a Igreja, porque creio que é culpada do atraso de Portugal, Espanha e Itália em relação ao Norte.
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Estamos a criar gerações de jovens que carecem de mecanismos culturais e históricos que lhes permitam saber quem são. Estamos a criar órfãos culturais. Todo o sistema educativo europeu está feito para esmagar a inteligência. Para igualá-la à mediocridade.
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Hoje há uma guerra de civilizações, uma guerra social entre o Islão e o Ocidente. Porque o Islão é incompatível com a democracia.
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Houve uma grande e sangrenta luta para nos livrarmos das grilhetas que a Igreja Católica nos impôs. No Islão não houve essa guerra. E nós não podemos agora renunciar a séculos de luta pelas liberdades e direitos. Para que a minha filha possa usar minissaia na rua, ou o teu filho possa dizer ‘Me cago em Deus’, sem que o executem como blasfemo. Custou-nos muitos séculos de sofrimento, de guerras e de mortos. Mas eles não o fizeram.
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o Islão deixou-nos coisas, tanto no sangue como na cultura, depois de muitos séculos. Mas essa herança islâmica evoluiu connosco. Tal como a herança cristã também evoluiu.
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É compatível com a democracia que, por exemplo, uma mulher não possa ser tratada por um médico homem? Não, o Islão não vai mudar, e é incompatível com a democracia.
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Já estamos a ter uma guerra de civilizações. Com uma diferença importante: é que desta vez vamos perdê-la.
- Porquê?
Porque o Ocidente é débil, medíocre, cobarde. Tenta ser politicamente correcto, é velho, gordo, acomodado, cheio de tecnologia. Enquanto o Islão tem fome, tem rancor, tem ódio, tem juventude, tem tomates. Não tem nada a perder, e tem muito a ganhar. Por isso vamos perder a guerra. Mas não merecemos ganhar.
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eu estava no Irão quando chegou Khomeini, e vi os mesmos jovens gritarem ‘Liberdade, liberdade’. Esses jovens estão agora todos cheios de barbas e de medo, não se atrevem a falar em voz alta. As Primaveras árabes também foram apropriadas pelos “khomeinis”.
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escrevo porque me dá prazer. Escrevo para recordar as minhas viagens, os amigos, as mulheres que fodi. 
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quando um filho da puta que não fez mais nada do que beber copos num bar se atreve a escrever 500 páginas sobre a sua interessante personalidade, vá apanhar no cu!
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Um escritor português, por exemplo, tem de conhecer, primeiro, Grécia e Roma, porque é de onde vem tudo. Depois, a literatura portuguesa dos séculos XVI e XVII, Camões, etc., quando se forma a língua. E a literatura europeia do século XIX, Tolstoi, Dostoievski, Eça de Queirós, Galdós. E tem de ler Thomas Mann, Conrad, Faulkner, Kundera. Não leu nenhum desses, mas conhece Foster Wallace e Houellebecq? Então é um filho da puta, não pode ser escritor. E pensa que descobriu coisas que existem desde os gregos.
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Esses filhos da puta que estão a chegar a Lisboa de calções e chinelos, e que estão a foder a cidade de forma irremediável… Eu vim há muito tempo a Lisboa porque li Pessoa, Camões e Eça de Queirós. Vim para encontrar a realidade que amava nos livros. Esses turistas filhos da puta nem sabem quem foi Pessoa. Vão à Brasileira para fazer uma foto com ele, e não sabem quem ele é, nem nunca saberão na puta da sua vida. Eu preocupo-me com isso porque eles estão a foder-me a mim, ao foderem a minha Lisboa. Não escrevo para que o mundo seja melhor. Eu escrevo romances em legítima defesa.
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A propósito,
«o problema está no Islão, o problema é o Islão»