sábado, 31 de dezembro de 2016

Morrer na operação [3] - Nem o pai morre nem a gente almoça

Ouvi há momentos na telefonia que o balanço provisório da operação "Festas Seguras" regista [sic] até ao momento quatro mortos. Mal é que até depois de amanhã o resultado não melhore. *
Eles aí estão, sem parança nem sossego, em prol da nossa felicidade. Proactiva. Vejamos:

Entretanto, decidiu-se refrear o noticiário acerca dos parâmetros de um ancião em coma profundo. José Barata, porta-voz, hoje: «só voltará a ser feita nova informação clínica quando houver uma alteração do estado de saúde...».
Parece-me bem. 17 anos de boletins clínicos estavam a deixar o país à beira da exaustão. Nem a paciência dum eremita beneditino aguentaria mais.
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ora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última hora! Última h
* [04.Jan.2016]
Melhorou e não pouco: dezanove.
Morrer na operação, nada de novo; se calhar é do balanço, sei lá. Escusavam era de tanta propaganda.

Acordo Ortográfico [118]

A nova ignorância e a inércia.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O reflexo fajuto de Ricardo Araújo Pereira

Uma das traduções mais respeitadas em português europeu, a católica "Bíblia dos Capuchinhos", como é conhecida, dá-nos assim, negrito meu, o 2.º versículo do capítulo 17.º do Apocalipse:
Com ela se prostituíram os reis da terra, e os habitantes do mundo embriagaram-se com o vinho da sua prostituição. - Ap, 17.2  *

«[…] Os habitantes da Terra se embriagaram com o vinho da fornicação, diz a Bíblia […]»

Ficamos, pois, a saber que o doutor Araújo Pereira, lídimo e atento praticante da gramática, se guia por uma Bíblia brasileira.
Aposto em que nem a ele a frase que transcreveu, se a proferir em voz alta, soa a correcto português de cá.
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* Anseio pelo Apocalipse de Frederico Lourenço, no volume II.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Guterres, por Baptista-Bastos

«António Guterres foi oficialmente confirmado como secretário-geral das Nações Unidas. Cristiano Ronaldo conquistou, pela quarta vez, a Bola de Ouro. Dois importantes acontecimentos que premeiam a qualidade excepcional de dois portugueses obstinados em escapar à trilha imposta pelas circunstâncias dominantes e colocar-se no plano em que estão algumas das grandes figuras que marcaram os destinos comuns.
[...] Sou daqueles para quem as vitórias dos que conheço ou prezo constituem alentos pessoais. Tenho passado a vida nisto: a bem-dizer os que, pelas virtudes próprias ou pelos méritos pessoais, amarinharam pelas rudes escadas que lhes eram apresentadas.
[...] Segui, à distância, a desenvolta carreira do homem. E acho que ele merece o que conquistou. Nunca fez ondas demasiado altas, e, de palavra, foi sempre cuidadoso e prudente, movendo-se com destreza e extrema habilidade. Que Deus Nosso Senhor o proteja e continue a iluminá-lo.»
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«[...] Está-lhe no sangue este tipo de indecisões e evasivas.
[...] Deu provas suficientes de ser um espírito hesitante, temeroso, com escassa coragem para enfrentar contrariedades, as mais minguadas, e sempre predisposto a escapulir-se, sem pudor nem dignidade, como o fez quando se demitiu do Governo. Conheço o homem há anos, das conspirações no gabinete de Soares Louro, na Cinevoz.
[...] fez-se à vidinha e andou por aí, com o rosto compungido, a fazer ninguém sabe o quê, diz que a favor dos expatriados.
[...] António Guterres detesta problemas. Deseja é mel e leite e o exercício de funções pacíficas, bem remuneradas e sem atritos de maior. [...]»
"O candidato que não é" | Correio da Manhã, 15.Abr.2015
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«[...] É um burocrata sempre cheio de medo, que possui do socialismo um conceito difuso de água-benta. [...]»
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«[...] À menor contrariedade foge espavorido, como se viu quando perdeu as eleições municipais, e refugiou-se num chamado Alto Comissariado para os... Refugiados.
[...] Guterres está longe de ser o homem que o momento exige. Carece de carácter, é um espírito flébil, pouco consistente e indeciso. 
[...] demonstrou ser ressentido, rancoroso e vingativo, quando saneou Vasco Graça Moura das funções de comissário para as Comemorações dos Descobrimentos, porque o escritor criticava, publicamente, a política do Governo.
[...] acabei por votar nele, fui enganado, fiz o que tinha a fazer, não oculto um certo desdém que por ele embalo, e não encontro nenhuma virtude que o recomende à Presidência. [...]»
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Rapto

Roma, sábado, 24 de Dezembro de 2016, 23h07 [hora local].
pega, segura e leva

Sinais particulares: fralda.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Mafalda mal, Mafalda bem

«[…] Vivemos a maior catástrofe humanitária desde a Segunda Guerra Mundial e Guterres conhece os números melhor do que ninguém: há mais de 13 milhões de sírios a necessitar de ajuda humanitária, cinco milhões dos quais refugiados fora do país. […]»

Este pedigree faria esperar outro atino linguístico da senhora directora. 
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Ciberdúvidas, por exemplo aqui.
Helder Guégués, por exemplo aqui.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Saramago, Fidel e outros mortos

A reboque dos festejos diluvianos da morte* de um déspota barbudo, a RTP exibiu há dias — RTP 3, domingo, 04.Dez.2016 — "Cuba segundo Saramago", reportagem esmerada de Alberto Serra sobre a visita, em Dezembro de 1998/Janeiro de 1999, que o nosso escritor, ungido quatro semanas antes com o Nobel da Literatura, fez a Cuba quando ali se comemorava o 40.º aniversário da destituição de um ditador barbeado. Na comitiva, o lendário companheiro Vasco de que matei saudades.
O que me traz aqui é o momento, na conferência à imprensa estrangeira em Havana, em que um jornalista interpela e apoquenta Saramago com alegadas afirmações suas de reconhecimento de determinadas patifarias do regime castrista. Saramago procura limpar-se vituperando a manipulação e descontextualização do que teria dito um mês antes à TSF**, e alega: «há um ou dois anos, numa esquadra da polícia em Portugal, um sargento, ou cabo ou lá o que era, decapitou um homem (…) Se a imprensa internacional fizesse eco desse caso, facilmente se daria de Portugal uma imagem terrível: "Aqui decapitam as pessoas!"» 

Sacavém, Portugal, Maio de 1996. Que o Correio da Manhã ponha no título "GNR que decapitou suspeito" pouco espanta já que isso é idiossincrático da gazeta de Paulo Fernandes. Agora que o insigne José Saramago, antigo e graduado jornalista, tenha vendido ao mundo uma decapitação de cadáver por uma decapitação de pessoa à moda do DAESH parece-me contrafacção dolosa e insuportável dos factos por parte de quem a par do nobelizado talento convinha que mostrasse algum asseio público.
É certo que quatro anos depois haveria de pronunciar-se publicamente acerca de Cuba com outro discernimento e putativa honestidade. Convenhamos que em Abril de 2003 José Saramago, nascido em Novembro de 1922, ia em idade mais do que razoável para tal clarividência, coisa que, por exemplo e ao invés, é prematuro reconhecer por enquanto no jovem camarada Jerónimo, nascido em Abril de 1947, que em Almada, aos 2 de Dezembro de 2016, com as cinzas do ditador a cirandar pelas estradas caribenhas, proclamou Cuba, sem se rir, a Ilha da Liberdade.***
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* A partir dos 90 morre-se muito.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Fruta tropical, bacalhau à Brás e psiquiatra. Antropologia a 250 à hora.

«[...]
O espaço foi, ao longo dos anos, frequentado por políticos, magistrados, jogadores da bola, árbitros, actores, jornalistas, médicos, polícias, empresários e diplomatas.
[...]»

E padres, não? E alfaiates?
Joana Marques Alves é um doce de jornalista.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Desastre no conjuntivo. Com paixão.

«Os nossos telespectadores há uma coisa que gostam: gostam muito de futebol e gostam que nós estejemos apaixonadamente a discutir os lances...»

Não lhe faltam émulos:
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Acordo Ortográfico [117]

«[...]
Nuno Pacheco- E quanto ao chamado acordo ortográfico?
Artur Anselmo- É um problema científico. Por mais que nós possamos negociar com forças políticas, sociais, sindicais, na base está a ciência. Isto é uma Academia das Ciências! No dia em que aceitarmos de olhos fechados situações que ferem a nossa inteligência, o senso comum e a tradição científica, não estamos a cumprir as nossas obrigações.
Vemos que cada vez mais textos oficiais e oficiosos, como por exemplo os dos museus, estão escritos numa ortografia mista, num absoluto caos…
Eu acrescento os boletins camarários e as legendas dos cinemas. O último boletim da Câmara de Viana fala em concessão de uma estrada mas escreve com ç cedilhado. É uma trapalhada. E o corrector não marca erro porque não faz interpretação semântica!
[...]
Nuno Pacheco- Em termos concretos, o que é que está a ser feito neste momento na Academia?
Artur Anselmo- Nós vamos agora publicar em Janeiro os Subsídios para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico. Estão prontos, foram feitos por uma equipa dirigida pela Ana Salgado, na última reunião já tiveram um acordo de princípio, agora vão ao plenário de efectivos. É uma contribuição, neste momento a Academia não pode fazer mais do que isto. Temos de agir com prudência, mas sem abandonar o critério científico.
[...]»

domingo, 11 de dezembro de 2016

Um vir-se contínuo

Hiromi Hueara - Take me away.
Ré menor na floresta.

Seis equívocos em torno da Europa, e o endividualismo

Manuel Maria Carrilho reage em grande, no Público de ontem — "Os equívocos de Sampaio, e não só!..." —, ao verboso ensaio* de Jorge Sampaio [ai o rimário!] no Público de 14.Nov.2016, "A nova Europa dividida num contexto internacional de incertezas. E nós?"
  1. «O projecto europeu está, desde 2010, em decomposição.»
  2. «A globalização não foi um processo contra a Europa mas, em grande parte, uma obra da própria Europa.»
  3. «O crescimento acabou.»
  4. «Estamos a entrar numa era em que há cada vez mais política fora da democracia.»
  5. «A invocação do populismo traduz hoje, sobretudo, medo do povo.»
  6. «A esquerda acabou.»
Ainda,
«[...] O endividualismo é um novo tipo de individualismo, um “individualismo de massas” [...] o endividualismo sinaliza uma nova era, a do jubilatório apogeu do indivíduo que se realiza pelo crédito, isto é, pela dívida. [...]»

Espera-se a todo o momento o ponto de vista de Bárbara Guimarães.
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* Estreia em data a anunciar.

«Muito insatisfeito / Muito satisfeito»

O que achou desta notícia?

domingo, 4 de dezembro de 2016

Camarate, Medellín, Toledo ... e a inequivocidade das coisas

Nada de precipitações.
Encomendem a investigação ao parlamento português* e descobrir-se-á quantas bombas a bordo, quantos Farinhas Simões, Josés Esteves e Sinans Rodrigues mancomunados atrás dos arbustos.
Requeiram uma peritagem a Helena Roseta e ver-se-á como luzem os contornos da conspiração.
No caso de hoje, em Toledo, ninguém, talvez, como Clara Ferreira Alves, especialista em aviação, para nos explicar porque caem certas aeronaves mais do que outras.
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* «[...] dá-se por concluído e provado de forma inequívoca, na senda das últimas Comissões, que se tratou de um atentado. [...]»
X Comissão Parlamentar de Inquérito à Tragédia de Camarate
Relatório Final, página 62 de 1555 (!) - Aprovado com abstenção do PCP - 23.Jun.2015

provado de forma inequívoca  -  Ah valentes!