domingo, 28 de maio de 2017

Tradução horrorosa

«[...] Bisogna dire con forza che questa cultura competitiva tra i lavoratori dentro l'impresa è un errore [...]»
Em português pluviano, «É preciso dizer com veemência que esta cultura competitiva entre trabalhadores no seio da empresa é um erro.»

Eis o que o Papa disse segundo a Rádio Renascença.

Imagino que a Aura Miguel tivesse ido mijar na altura. Mas até o tradutor da Google faria melhor do que o estagiário surdo de turno.

Joana Gomes Cardoso,

Presidente do Conselho de Administração da EGEAC - Empresa Municipal de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, uf!, filha da eurodeputada Ana Gomes — que interessa de quem é filha? —, do PS — que interessa o partido, raios? —, esteve ontem no Hotel Babilónia, Antena 1, a conversar com Pedro Rolo Duarte e João Gobern a pretexto das Festas de Lisboa de 2017
Metralhadora palrante, a doutora Joana gosta muito da palavra «dimensão», tem o tique de «na verdade» e não consegue dizer «todos» sem acrescentar «e todas», o que pode transformá-la sem ela querer numa espécie de psitacídeo da família Cannavigliae.  
Experiente, vivaça, talentosa, bem estruturada, aguerrida, Deus a conserve. A capital agradece.

sábado, 27 de maio de 2017

Marisa foi ao cabeleireiro

Ontem ao serão, a pastorinha do bonzo de Coimbra esteve, amiúde de mãos postas, na "21.ª hora" da TVI 24.
Gosta menos de cristãos do que de muçulmanos, não usou a palavra "Alcorão", muito menos "Maomé", e nos quase 19 minutos de cavaqueira com José Alberto Carvalho ajeitou o cabelo por 48 vezes numa infrene e libidinosa compulsão tricomaníaca que acabou por ser ao que dei mais atenção. De resto, pareceu-me ouvir-lhe coisas acertadas sobre a hipocrisia no negócio das armas e sobre os 20% de contributo dos EUA para o orçamento da NATO, de que Trump se lamuria, até serem «pouco para quem define a política toda».

No canal ao lado, eram 22h12 quando o bispo Louçã disse, juro, que «foi publicada uma carta de órfãos, filhos dos mortos e das mortas, há 40 anos atrás, naquele 27 de Maio de 1977».
- "O tabu de Francisco Louçã", SIC Notícias,  minuto 10:25 
«há 40 anos atrás» ainda é o menos. Inadmissível é que se tenha esquecido das órfãs e das filhas.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Efeitos secundários do padre Anselmo no Plúvio

Há 30 anos que acompanho e leio — religiosamente — o padre Anselmo Borges, com a seguinte consequência, entre outras quiçá menos importantes: quanto mais o leio, por exemplo aqui, ou escuto, mais se me dissipa a fé religiosa, se é que resta alguma.
A leitura sistemática da Bíblia e o estudo atento das organizações e fenómenos eclesiais têm efeito semelhante, mas mais homeopático. Já os excursos do padre Anselmo são de uma eficácia extraordinária: abusando porventura de alguma distracção do meu metabolismo crítico, injectam-me a descrença directamente na veia. Que o rim não drena e essa é que é a perversidade. 

Texto de hoje no DN: "Francisco em Fátima (1)" *
Ó padre Anselmo, tenha dó de nós, das nossas meninges!

A propósito, quem não se atordoa com a profusão heteronímica da mulher do carpinteiro de Nazaré?
Se o senhor Pessoa era plural como o universo, que dizer da Senhora?
OK, a Senhora não escreveu nada.
Intrigante é que a Igreja ainda não homologou, com tantas delas em …ção, uma Nossa Senhora da Menstruação ou, para ser mais moderado, uma Sereníssima Virgem do Período. **
Pois se até do Ó há uma
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* Falando do Papa Francisco,
Anselmo Borges, 26.Mai.2017 - «é profundamente mariano»
Ascenso Simões, 10.Mai.2017 - «não é um mariano convicto»
O consenso hipnotiza-me. ***

** Alimentava certa esperança — de fé estamos conversados — em achar alguma destas no beato Roberto, ele que as conhece todas.
Debalde. Pelos vistos, chega de sangue. E se calhar até concordo.

*** Parafraseando António-Pedro Vasconcelos, oito letras de Anselmo e de Ascenso.
Escusa o leitor abelhudo de vir já com merdas. Contei na calculadora.

Agora vou-me confessar.

Ao cuidado da doutora Isabel Jonet *

Não é todos os dias que se nos depara, a cada cinco segundos de um videoclipe de propósito estimável e boa locução, insulto deste jaez à língua portuguesa.

«Partilhar sabe bem»; falando bem sabe melhor.
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terça-feira, 23 de maio de 2017

Culto tonto da intemporalidade?

Para a peça que assinou no DN de sábado, 20.Mai.2017, "Espero que o ego não o coma", Fernanda Câncio recolheu informação e testemunhos de pessoas mais directamente ligadas ao trajecto musical de Salvador Sobral, nomeadamente Júlio Resende que o vem acompanhando nas gravações e nos concertos.
A jornalista fez decerto tenção de saber a idade do pianista algarvio, conforme se depreende da seguinte passagem, negrito meu:
«Resende, que prefere não dizer a idade, tinha já vários discos editados quando conheceu Salvador.»

Os deuses sabem quanto estes buracos negros na informação me desafiam e acicatam a curiosidade. Está claro que me pus logo na net à cata da certidão de nascimento do Resende. Por nenhuma outra motivação, friso, que não a do apuro científico dos meus conhecimentos de antropologia aplicada e a da pura bisbilhotice — adoapuroeadapura —, sim, bisbilhotice, que um homem que só se alimente de Malinowski nunca irá muito longe no entendimento do Homem.

De modo que tive de ir por arrevesados cálculos geológicos segundo e depois dos quais se me afigura seguro afirmar que o Resende terá nascido entre o Cretácico Inferior e o Quaternário Holocénico.  
Se o leitor amável não vir nisso atrevimento soez da minha parte, estou até capaz de arriscar, na falta de calculadora mais sofisticada, que o Resende nasceu no Antropoceno.

Enfim, acho quase sempre mesquinho, para não dizer ridículo, o escondimento ou a sonegação da idade, como se fosse possível escapar às singelas datas que precedem e se seguem ao hífen da nossa efemeridade
Num puto com ar de ter nascido no decénio de 80 do século XX, parece-me mera tontice. Mas está no seu direito e terá as suas razões; eu é que tenho um feitio esquisito.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Viktor Vidović,

É certo que boa madeira para guitarra até na árvore soa.
Mas estas mãos, senhores!...

Prometo mudar de assunto.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Ascenso Simões,

transmontano cagão, crente em Deus mas mais piedosamente em José Sócrates, afirma em entrevista à Sábado de 10.Mai.2017 que o Papa Francisco «Não é um mariano convicto».  
Ora essa, senhor deputado!? Quem lho disse? Onde leu? 
Entre outras proclamações de exuberante e ardorosa marianofilia — ó p'ra ele, faz três dias, a acenar à boneca —, bastaria ao socratodevoto Ascenso ter presente as conclusões de dois documentos nucleares do enaltecido pontificado de Francisco:
- Carta encíclica "Lumen fidei" ["Luz da fé"], de 29.Jun.2013, capítulo IV, pontos 58. a 60., "Feliz daquela que acreditou";
- Exortação apostólica "Evangelii gaudium" ["Alegria do evangelho"], de 24.Nov.2013, * capítulo V, parte II, pontos 284. a 288., "Maria, a Mãe da evangelização".
Se Jorge Mario Bergoglio «não é um mariano convicto», convoque-se de imediato, para dissipação da heresia ascênsica, o sinédrio dos morcegos da Biblioteca Joanina

Apontamentos do 13 de Maio

Saudação fogosa na paz de Cristo da filha do primeiro-ministro ao presidente-arlequim.

Mãos de António Costa atrapalhadas no pai-nosso. Ali, só o pio Marcelo e a intérprete de língua gestual sabiam como e onde pô-las.

Segurança do Santo Padre. Pelos vistos, o Deus a que se confia não é guarda em que confie. 

António Marto, bispo de Leiria-Fátima, dirige-se ao Papa: Peço-vos permissão para em vosso nome enviar uma carícia aos pequeninos.
Permissão dada, diz o viscoso Marto: Caros amiguitos e amiguitas, o Papa Francisco envia-vos uma carícia cheia de ternura.
Confesso que me repugnou a saturação pleonástica da «carícia cheia de ternura».
"Seis por Meia Dúzia: à sombra duma azinheira" - TVI, 14.Mai.2017
Obrigado, Victor Moura-Pinto, por estes deliciosos seis minutos de fervor.

Merecem ponderação os comentários de Cipião Numantino, Carlos Quartel, Joaquim Moreira, Pedro Varela, Ribeiro Pinto, Maria Machado, Jorge Madeira Mendes, Aónio Lourenço, Diogo Mendes, Rui Franco, José C. Aguiar, João Magalhães, Vítor Costa Lima.
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* Relembre-se que é nesta Exortação que o bonzinho do Papa Francisco diz que «o verdadeiro Islão e uma interpretação adequada do Alcorão opõem-se a toda a violência.». Não sei se patético se apatetado. Mas eu sei pouco, cerca de nada.

Respeitosamente.

Isto é

um divertido assombro de cinco minutos e quarenta.

«espera lá, Arlindo! Isto é lindo»

Insisto no reconhecimento e grande mérito de Luís Figueiredo, autor do arranjo.

sábado, 13 de maio de 2017

Música

«[…]
Pedro Barroso não é autor de concessões ao fácil, ao “light”, à fama fútil e efémera. Soube criar, com mestria, a sua forma ímpar de estar no mundo da interpretação e da criação musical e literária. A sua música tem um especial sabor épico, que a sua forma de a transmitir acentua sublimemente. Os seus temas cruzam tempos numa simbiose natural de vivências e memórias, anseios e esperança, sonhos e utopias, de “passado contido no futuro” e de futuro prenhe de pretérito. Nele, a portugalidade é enaltecida e jamais olvidada (“a nação ternura”), sem, porém, esquecer o que não nos enobreceu ao longo da (nossa) descoberta.
[…]»

Bagão Félix passou-se. Bagão Félix precisa de otorrino urgentemente. Que literatura ou poesia tem lido Bagão Félix? Que música ouve, que compositores aprecia? Que estranhas coisas dirá o dicionário de Bagão Félix do verbo «criar» e do adjectivo «sublime»?
Ora bem. Sucede que «PB não é autor de concessões ao fácil» ... nem ao difícil, simplesmente porque não consegue, não pode, falta-lhe o duende, não nasceu para aquilo.
«mestria» ... «criação musical e literária»? Ó Bagão, tento na língua.

Literariamente, Pedro Barroso não alcança sequer a carpintaria de Quim Barreiros.
O engenho e a criatividade do músico Pedro Barroso variam, empolgam e enfeitiçam como a névoa do lusco-fusco.
Homenzarrão, vozeirão, talento minguado. O pior é que se leva a sério e levam-no a sério — caso do bom do Bagão Félix — como grande artista.

Comparados com Pedro Barroso, os irmãos Sobral são puro Bach.
Se o Salvador não ganhar logo à noite em Kiev, confirma-se aquilo de que se suspeita: a Europa anda surda.
O arranjo de Luís Figueiredo, céus, aquele arranjo!… Magia.  
Bravo, João Dias! A humanidade ainda não está inteiramente perdida.

Três ou quatro dias na vida alucinante e devotada de um presidente-arlequim

17 de Abril, segunda-feira
Órfão e devoto de Camarate-atentado, Marcelo chega a Tires antes de quase todos; ainda assim com ligeiríssimo atraso: a avioneta já se tinha despenhado.
Ia decerto para se certificar das provas de sabotagem. Receio é que sem a assessoria iluminada de Helena Roseta, especialista em aviões que marram no chão, não vá longe no desenvolvimento e sustentação da tese conspiratória.

18 de Abril, terça-feira
Devoto de Cristina Ferreira, Marcelo reúne com os bruxos em casa de Leonor Beleza. «[…] fez várias incursões bem humoradas pela política interna, em ritmo rápido e cuidando não ter jornalistas na sala, deu um exemplo concreto: a queda da avioneta em Tires. "O poder político tem de estar pronto a responder a situações como esta." […]» - Público, 18.Abr.2017

12/13 de Maio, sexta/sábado
Devoto de Fátima, com uma estranha e fechada anomalia no primeiro ó:

Entretanto, meteu no saco o bandolim do Acordo Ortográfico.
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* Plúvio, devoto.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Tavares & Tavares e o incenso dos Joões

"O coro dos defuntos", publicado em Novembro de 2015, valera a António Tavares, no mesmo ano de 2015, o "Prémio Leya" — 100.000 euros —, de cujo júri Manuel Alegre aparenta ser presidente perene.
Na edição de 2013, António Tavares fora finalista vencido com "As Palavras que me deverão guiar um dia", publicado em Agosto de 2014. 
O escritor António Tavares, advogado, jornalista e professor, foi eleito em 2009 e reeleito em 2013, pelo Partido Socialista, para a Câmara Municipal da Figueira da Foz de que é hoje vice-presidente, mas não é isso que vem ao caso.
O que me traz é o livro "Todos os dias morrem deuses", que não li nem conto ler, o mais recente do autor, que teve lançamento oficial em 21.Abr.2017, faz hoje três semanas, e que mereceu no DN definhante de Pedro Marques Lopes, de Proença de Carvalho, do genro de Cavaco Silva e de José Sócrates imediata recensão abonatória de João Céu e Silva em 29.Abr.2017 e, dois dias depois, apreciação não menos encomiástica de João Gobern.
"O coro dos Joões", isso.*

Em 2008, os primeiros 100 000 euros do Leya ganhou-os o brasileiro Murilo Carvalho, com "O rastro do jaguar", não se lhe conhecendo títulos ulteriores.
Em 2009, com "O Olho de Hertzog", venceu o moçambicano João Paulo Borges Coelho que publicaria em 2010 "As visitas do Dr. Valdez", em 2011 "Cidade dos espelhos", em 2013 "Rainhas da noite" e em 2016 "Água - Uma novela rural".
Em 2010, o prémio não foi atribuído.
Em 2011, com "O teu rosto será o último", ganhou João Ricardo Pedro que publicaria "Um postal de Detroit" em 2016.
Em 2012, com "Debaixo de algum céu", Nuno Camarneiro que veio a publicar em 2015 "Não acordem os pardais" e "Se eu fosse chão".
Em 2013, com "Uma outra voz", Gabriela Ruivo Trindade que voltou a publicar em 2016: "A vaca leitora".
Em 2014, com "O meu irmão", ganhou um miúdo nascido em 1990, Afonso Reis Cabral, que nada publicou entretanto.
Em 2015, o dito Tavares.
Em 2016, Manuel Alegre voltou a não premiar ninguém.
O vencedor de 2017, havendo, será anunciado lá para Novembro próximo.

Todo este aranzel porque João Céu e Silva, jornalista que muito prezo, escreve a propósito de António Tavares o seguinte despautério, destaques meus:
«[...] Diga-se que é o único dos premiados com o "ambicionado" Prémio Leya que anualmente corresponde com um livro ao interesse dos leitores pelos finalistas vencedores deste galardão. Dos restantes, ou não se ouve falar ou entregam projectos demasiado bissextos à editora. [...]»
Leviano, para não dizer ridículo. E injusto para alguns premiados. De resto, nem é verdade que o incensado Tavares tenha escrito todos os anos depois de 2015, já que em 2016 não publicou nada. Ao contrário, por exemplo, do Plúvio que escreve anualmente, sem falhas, no seu T3 na Bobadela, as actas do condomínio: a de 2016 e a de 2017. 
Mas gostei de ver em 14.Abr.2017 o Céu a falar da sua Fátima no Inferno do Canal Q.


O que conheço da escrita de António Tavares não me arrebata: algo pretensiosa, incapaz de uma boa metáfora, a puxar para o críptico e vocabularmente esotérico. Afinal, não é Aquilino quem quer.
Uma amostra:
«[…]
FEVEREIRO, 2015
[…]
Embrulhava-me num cobertor, madrugada a abrir-se aos machacazes que aricam as alvercas e os barrosais, para delas tirarem sustento. Vou mudando de espaço e de tempo e era** muitos, como um coro.
[…]
E tinha Aquilino diante de mim. Aquilino rima com Luandino.
[…]
OUTUBRO, 2015
[…]
E tocava o telefone. E tocou: "Vou passar ao Manuel Alegre", disse-me uma voz. Alegria, pois.***
[…]»
António Tavares, "Diário de um prémio" | JL 1176, 28.Out.2015

E vós, Plúvio, se vos enxergásseis?
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* Não estou certo é de que tenham lido o mesmo livro:
o do João Céu e Silva tem 172 páginas e custa 12,90 €; 
o do João Gobern é maior e custa menos: 176 páginas, 11,61 €.

** Vou ... e era ... [?!]


*** Então não? Pudera! Para quantas doses de amêijoa à Bulhão Pato dão 100 mil euros?

segunda-feira, 8 de maio de 2017

«Completamente»

Luís Marques Mendes, ontem, no "Jornal da Noite" da SIC, afiançou que o Partido Socialista convidara Júlio Magalhães.
Reacção do Partido Socialista: «completamente falso».

Faz-me lembrar de um homem «completamente inocente» condenado por crimes de abuso sexual de crianças.

Cheira-me a advérbio de água no bico, completamente desnecessário à verdade. A verdade usa ser despida; o fingimento, não tanto

A consciência limpa ou tranquila não andará longe.

domingo, 7 de maio de 2017

«Também» precoce do Boucherie?

Carla Hilário Quevedo, rematando a sua zurzidela [sim, sua e dela] na Joana Vasconcela, ups!, celos, e no terço mastodôntico que o padre Cabecinhas, de impecável cabeção, lhe encomendou  [por quantos milhares de euros? Essa é a «Quarta parte»…]:
«Acho uma coisa foleira e sem interesse nenhum.»
[…] 
Domingos Amaral- Por acaso eu gosto.
Pedro Boucherie Mendes- Eu gosto também.
Domingos Amaral- Uma das coisas que me surpreendeu neste terço e nesta obra da Joana Vasconcelos  foi de facto ter havido alguma coisa artística relacionada com a religião, de que eu gostei. Porque normalmente a maior parte das coisas
Pedro Boucherie Mendes- Arte sacra, sim.
Domingos Amaral- … que nos últimos anos, que tenha sido feito, vulgo a igreja no Alto do Restelo, do Troufa Real… 
Pedro Boucherie Mendes- Também gosto.
Domingos Amaral- … aquilo é uma coisa abominante!
Carla Hilário Quevedo- Uma coisa medonha, medonha!
"Irritações", SIC Radical, 04.Mai.2017 - De 43:30 a 44:05

E agora, lá para casa, questionário de escolha múltipla:
Que queria Pedro Boucherie Mendes dizer com «Também gosto.»?
A- Gosto da igreja do Troufa Real do mesmo modo que gosto do terço da Joana.
B- Concordo com o Domingos Amaral, também gosto da igreja do Troufa Real.

Aposto em B, apesar da rima emparelhada e da métrica irregular.

sábado, 6 de maio de 2017

Língua do Estado em estado não recomendável

O Primeiro-Ministro não melhora; nem parece que tenha cura.
«[…] muito do que então foi antevisto tem tado a ter concretizações efectivas.»

Repito-me: o pior é que podem estar crianças por perto.

Afirmações espantosas

«[…]
Neste processo, o Ministério Público exibiu despudoradamente uma das especialidades que vem cultivando há décadas: promover covardemente - e criminosamente - campanhas de difamação nos jornais, por forma a transformar a presunção de inocência em presunção pública de culpabilidade.
[…]»
Atenhamo-nos às quatro décadas de Procuradores-Gerais da República designados pela democracia:
João de Deus Pinheiro Farinha, 1974-1977
Eduardo Augusto Arala Chaves, 1977-1984
José Narciso da Cunha Rodrigues, 1984-2000
José Adriano Machado Souto de Moura, 2000-2006
Fernando José de Matos Pinto Monteiro, 2006-2012
Maria Joana Raposo Marques Vidal, 2012-
Pinheiro Farinha [1919-1994] e Arala Chaves [1914-1993] não estão cá para se defender. Mas por que esperam Cunha Rodrigues, Souto de Moura, Pinto Monteiro e a Joana para agir em desagravo e reparação do ultraje, da injúria, da calúnia, da ofensa, da desonra, do insulto e – usando vocábulo querido ao colunista do DN – da infâmia lançada sobre a instituição que dirigiram e Joana Marques Vidal hoje dirige? Onde está o vosso brio, prezados magistrados da nação?
Ou estou pitosga e a afirmação de José Sócrates não configura crime tipificado?
- x -
Miguel Sousa Tavares, paladino desde sempre da não implicação do casal McCann no desaparecimento da filha Madeleine, convencido do rapto — Passa pela cabeça de alguém que os pais, o pai ou a mãe ou ambos, fizessem sumir o cadáver da miúda depois de inadvertida e desastradamente terem errado ou exagerado na dose para a manter quietinha enquanto estavam na comezaina e nos copos com amigos? Nunca jamais em tempo algum, só mentes pérfidas admitiriam um filme desses! —, afirmou o seguinte, em 3 de Maio corrente, no fecho do especial "Caso Maddie – 10 anos" na SIC Notícias:
«Infelizmente creio que hoje Maddie não estará viva já.»
Alto, pára tudo! Afinal, morreu? Como? Quem a matou? Quando? Porquê?
Reabra-se o caso desde o início, mais bem dito, desde que as tapas começaram a chegar à mesa
Miguel Sousa Tavares endoidou ou esgueirou-se-lhe a língua para explicação mais verosímil? O mais verosímil, também quanto a mim mas em 3 de Maio de 2007, é Madeleine ter morrido. E quero crer que os pais sabem, por muito que tentem persuadir a galáxia doutra coisa. E se eles tentam!
Já Miguel Sousa Tavares, que acompanho há 40 anos e geralmente aprecio, é, sabemo-lo, um obstinado de causas fortes: do amor à caça, ao tabaco, ao Futebol Clube do Porto e à orla costeira, ao ódio sistemático, antigo e infrene ao Ministério Público, ao Acordo Ortográfico, à internet social e aos benefícios fiscais a pensionistas estrangeiros. Causas mais fortes do que ele, o Olimpo o abençoe.

Duas afirmações espantosas. Inconsequentes?

Como diz que disse?

Pedro Marques Lopes– E no entanto tu votarias nele (Emmanuel Macron) numa segunda volta…
Daniel Oliveira- Não, não! Nem na primeira nem na segunda volta. Nunca votaria em Emmanuel Macron.
Pedro Marques Lopes- Então votarias em Le Pen.
Daniel Oliveira- Não votaria. Ninguém me pode obrigar a votar numa pessoa com quem discordo em 98% . […] 
Luís Pedro Nunes- Permitirias que a Marine Le Pen…
Daniel Oliveira- Eu acho que o tempo do voto útil acabou. Eu nunca permitirei que me obriguem a escolher entre a xenofobia e a selvajaria liberal. Não escolho entre as duas, não escolherei entre as duas. Não aceito mais que me ponham nessa posição.

Sete noites volvidas, no Eixo do Mal de 30.Abr.2017:
Daniel Oliveira- Eu, como disse, não tenho dúvidas de que a esquerda vai ter que apoiar Macron. […] Sobre o que eu disse na semana passada, eu, perante a possibilidade de a Le Pen vencer — não tinha pensado sequer nessa possibilidade —, acabaria por votar no ex-banqueiro que tem o apoio do Schäuble, acabaria por votar Macron, acabaria por votar em tudo o que, para além do que a Le Pen defende, eu combato politicamente.

Saltimbanco. Sem dúvidas.

Tivessem estes galarotes iluminados e blocosquerditas zonzos pressentido o apelo do condiscípulo Yanis Varoufakis de 02.Mai.2017, veríamos como cacarejariam por cá.